Com a capacidade física reduzida por cusa da idade e das doenças, mas com sua vontade de ferro intocada, o papa João Paulo II completa hoje 20 anos de pontificado disposto a conduzir a Igreja Católica ao terceiro milênio.
João Paulo II, o papa que mais tempo passou no Vaticano neste século e 13º da lista geral, tem de ocupar a posição por mais 11 anos para converter-se no pontífice de papado mais extenso nos 2.000 anos de história do catolicismo.
Apesar desta perspectiva ser bastante improvável - seria um sonho mágico para os católicos conservadores e um peso para os liberais - o aniversário de 16 de outubro é uma oportunidade que ambas as correntes têm para tirar conclusões sobre os últimos 20 anos e olhar para o futuro.
O papa, um candidato pouco considerado cuja eleição em 1978 surpreendeu o mundo, fez mais história e estabeleceu mais recordes do que muitos de seus antecessores, mas, com a imprensa moderna como cúmplice inocente, talvez tenha dividido os católicos mais do que qualquer outro.
Os católicos liberais ressentem a negativa de ordenar mulheres e a proibição de anticoncepcionais, dois temas sobre os quais o papa quase impossibilitou mudanças, e desejam uma Igreja mais democrática. Os conservadores o adoram como um mensageiro divino que tomou uma Igreja açoitada pelos ventos do liberalismo e a colocou novamente em um caminho mais teológico e direto do que nas décadas turbulentas de 60 e 70.
Apesar de tudo, ambas as partes admitem que João Paulo II é um protagonista de peso no cenário mundial, tendo contribuído para a queda do comunismo em seu país e em toda a Europa Oriental em 1989.
Homem de extraordinário intelecto, formidável força de vontade e intensidade de oração que beira o misticismo, Karol Wojtyla é um dos poucos papas dos tempos modernos que saiu da pobreza, e não dos privilégios. Os historiadores dizem que uma série de tragédias pessoais que provocaram sua introspecção em uma etapa de sua vida lhe deu a reserva de vontade com a qual desafiou o comunismo e depois os dissidentes da Igreja.
Ele converteu-se em um pontífice viajante, visitando 116 países - muitos deles, mais de uma vez - durante seu reinado de 20 anos, com um total de quilômetros percorridos que seria possível dar a volta ao mundo 25 vezes. As três grandes regiões que ainda não fazem parte de sua lista são China, Rússia e os países que compõem a Terra Santa da Bíblia. Ele beatificou mais de 800 pessoas, canonizou cerca de 280 santos e nomeou quase 81% dos cardeais existentes. Mais importante, nomeou quase 90% de todos os cardeais com menos de 80 anos, que formarão o conclave para eleger seu sucessor.
Isto influi na probabilidade de que o próximo papa seja um conservador dentro dos moldes de João Paulo II. Mas o Espírito Santo, que, supõe-se, inspira todas as eleições papais, no passado gerou surpresas.

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