Papa canoniza santa que fez dois milagres no Brasil
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domingo, 16 de maio de 2004
France Presse 
Cidade do Vaticano - O Papa João Paulo II canonizou ontem, durante uma cerimônia na Praça de São Pedro no Vaticano, a pediatra italiana Gianna Beretta Molla, símbolo da luta contra o aborto, a quem a Igreja Católica atribuiu dois milagres no Brasil.
A nova santa, primeira mulher não-religiosa a alcançar a glória dos altares nos últimos cem anos, é conhecida como ''a mártir do amor maternal'' por ter preferido sacrificar sua existência para dar vida a sua filha.
A cerimônia, que foi assistida por milhares de peregrinos, entre eles vários prelados e familiares dos novos santos, também foi acompanhada por uma delegação brasileira liderada pelo arcebispo de São Paulo, o cardenal Cláudio Hummes, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnel, e o governador do estado de Tocantins, Marcello Carvalho.
Beretta Molla foi canonizada com outras cinco pessoas, como o catalão Josep Manyanet i Vives (1833-1901), fundador da Congregação dos Filhos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José e das Missionárias Filhas da Sagrada Família de Nazaré.
O chamado ''profeta da família'' é considerado o grande incentivador da construção do templo da Sagrada Família de Barcelona, obra-prima do genial arquiteto espanhol Antonio Gaudí, que também está em processo de beatificação.
Os outros canonizados foram o monge libanês Nimatulah Al-Hardini(1808-1858) e três religiosos italianos, a irmã Paola Elisabetta Cerioli (1816-1865) e os sacerdotes Annibale Maria Francia (1851-1927) e Luigi Orione (1872-1940).
Milagres no Brasil Uma comissão especializada do Vaticano atribuiu dois milagres registrados no Brasil à pediatra italiana, que segundo sua biografia oficial sonhou em se mudar para o Brasil como missionária leiga.
Beatificada em 1994 pelo papa em plena luta entre a Santa Sé e a ONU sobre as políticas para o controle da natalidade e o aborto, em 1977 Beretta Molla intercedeu, segundo a Igreja, na cura milagrosa de uma gestante no quarto mês de gravidez, em Grajaú (Maranhão, centro).
Após o milagre ter sido aprovado pelo Pontífice em 1992, ela foi beatificada em 24 de abril de 1994, ano internacional da família, para que fosse venerada nos altares como modelo de ''mãe de família''.
Foi o primeiro passo para se tornar santa, mas para isto seria preciso demonstrar um segundo milagre.
E justamente por servir de exemplo, ela foi invocada por um jovem casal de Franca (São Paulo, nordeste), que durante o jubileu do ano 2000 lhe pediu em suas orações que favorecesse o nascimento de sua filha, apesar da perda de todo o líquido amniótico.
O nascimento, há três anos e meio, de Gianna Maria Arcolino Comparini, quarta filha do casal, depois de nos primeiros meses de gravidez se romper a membrana que contém o líquido para a sobrevivência do feto, foi declarado como milagre autêntico pelas autoridades eclesiásticas.
Apesar das recomendações médicas de interrupção da gravidez nestes casos, pois tanto o bebê quanto a mãe podem se infectar e o feto normalmente não resiste, a mãe brasileira não quis fazer o aborto e levou a gravidez até o fim, dando à luz uma menina saudável.
A pediatra italiana, ativa militante do movimento Ação Católica, que morreu aos 40 anos, ao dar a luz depois de uma gravidez de alto risco, costuma ser usada como exemplo pelas autoridades católicas quando surge a discussão sobre o aborto, ao qual a Igreja se opõe firmemente, apesar de a prática ser legal em vários países da Europa, inclusive na Itália, e ilegal em quase toda a América Latina.
A canonização da médica, nascida em Magenta (norte da Itália), foi elogiada por vários cardeais e prelados, porque eleva aos altares ''uma mulher que levou uma vida santa sendo esposa e mãe'', afirmou o Vaticano.


