O Papa João Paulo II canonizou ontem a primeira mulher nascida judia da era moderna: Edith Stein, uma freira assassinada nas câmaras de gás de Auschwitz. O Papa declarou que, todos os anos, o dia de comemoração da nova santa deverá servir também como uma data para recordar o genocídio dos judeus no Holocausto.
Durante a cerimônia, o pontífice expressou seu desejo de que ‘‘nunca mais se repita o Holocausto’’, cujo exemplo deve ‘‘servir para fortalecer cada vez mais a compreensão entre judeus e cristãos’’.
Milhares de fiéis reuniram-se na Praça de São Pedro para celebrar o dia da Irmã Teresa Benedita das Cruzes, o nome escolhido por Edith após ingressar na vida católica. Entre eles, estavam presentes membros da família de Stein e o chanceler alemão Helmut Kohl.
Edith converteu-se ao catolicismo em 1921. O papa beatificou Edith há 11 anos durante uma visita a Colônia, na Alemanha. Durante a cerimônia de beatificação, a última etapa antes da canonização, o papa referiu-se a nova santa como ‘‘uma judia católica’’. Na cerimônia de ontem, João Paulo II declarou que a freira era ‘‘filha eminente de Israel e devota filha da Igreja’’.
Oficiais do vaticano afirmaram que tinham esperanças que o ato fortalecesse o diálogo entre judeus e cristãos, mas membros de grupos judaicos sentiram-se ofendidos pelas declarações do papa.
O diretor do centro Simon Wiesenthal em Israel, Efraim Zuloff, condenou energicamente o anúncio do papa João Paulo II de que de agora em diante a Shoah (genocídio dos judeus pelos nazistas) seria comemorada na data do aniversário da morte de Edith Stein.
‘‘O que o papa está dizendo é que os melhores judeus são aqueles que se convertem ao catolicismo’’, disse Efraim Zuroff. Segundo ele, ‘‘Edith morreu em um campo de concentração não porque ela era católica mas por ser judia’’.
Os grupos criticaram o discurso do papa, afirmando que ele deixou de comentar a questão da ‘‘cumplicidade’’ na perseguição nazista contra os judeus.

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