Papa beatifica cigano espanhol
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 1997
France Presse 
CIDADE DO VATICANO - O papa João Paulo II celebrou ontem na praça de São Pedro, em Roma, a missa de beatificação do primeiro cigano da história da Igreja Católica, o espanhol Ceferino Jiménez Malla, conhecido como Pelé, na presença de milhares de ciganos vindos do mundo inteiro. O papa também beatificou Maria Encarnación Rosal (1820-1886), uma religiosa guatemalteca.
Pelé foi fuzilado aos 75 anos de idade pelos republicanos espanhóis em 9 de agosto de 1936, no início da guerra civil, no cemitério de Barbastro (província de Huesca, ao norte). Ele havia sido preso por querer defender um jovem padre inocente.
Além dos milhares de peregrinos reunidos, numerosos grupos de ciganos das famílias Romaní, Sinti e Calo de toda a Europa e do Brasil com lenços multicoloridos no pescoço participaram da missa de beatificação. Durante a missa, um sacerdote cigano leu fragmentos do Evangelho, uma jovem cartomante rezou o Pai Nosso em romani, a língua falada pelos ciganos europeus. A parte do ofertório, antes da comunhão, foi acompanhada pelo som de violinos e de um violão cigano.
Cinco sacerdotes ciganos, entre eles o abade Tadeusz, que viajou especialmente do Brasil com outros três ciganos do País, co-celebraram a missa com o papa.
Uma capela em honra do bem-aventurado Ceferino, seguido de uma festa cigana com dança flamenca e cantos típicos, foi realizada ontem depois da missa na sala de audiência do Vaticano.
Nascido em 1861 em Benavent de Segriá, cerca de 8 km ao norte de Lérida (Catalunha, nordeste), em uma família modesta, Pelé percorreu por mais de 40 anos os Pirineus espanhóis e franceses. Era praticamente analfabeto, mas era especialista em mulas e cavalos, que vendia sobretudo na França.
Seus biógrafos sustentam que Pelé nunca quis enriquecer. Quando foi morar em Barbastro, instalou-se em um bairro pobre. Depois de, aos 51 anos, ter convivido quase trinta anos casado com uma cigana, ele se dedicou a atividades religiosas. Depois de sua morte, os ciganos passaram a venerá-lo como a um santo.
Além de Pelé e da religiosa guatemalteca, foram beatificados ontem Florentino Asensio Barroso (1877-1936), sacerdote espanhol também morto pelos republicanos, e um padre italiano, Gaetano Catanoso (1879-1963). (Leia mais sobre o assunto na página 7)


