São Paulo -Durante sua visita ao santuário de Fátima, em Portugal, o papa Bento XVI, encarregado no ano 2000 de explicar o terceiro segredo de Fátima, atualizou a mensagem confiada pela Virgem aos três pastorinhos em 1917, ao associar as profecias com os escândalos de pedofilia que abalam a Igreja.
O papa concede importância ao culto ''mariano'', isto é, à veneração popular da Virgem Maria e quis visitar o santuário português no dia 13 de maio para comemorar as aparições. ''Estaria enganado quem pensasse que a missão profética de Fátima foi cumprida. O homem pôde desencadear um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo'', destacou no local onde, segundo a tradição, ocorreram as aparições.
O papa recordou que as profecias são mensagem ''contra o egoísmo horrendo de nações, de raça, das ideologias de grupos e indivíduos''. ''O Senhor sempre nos disse que a Igreja sofrerá até o final do mundo'', havia antecipado ao responder aos jornalistas que o acompanhavam no vôo em direção a Portugal.
No dia 13 de maio os católicos celebram a primeira aparição da Virgem, em 1917, a três meninos pastores: Jacinto, Francisco e Lucia em Fátima, a 100 quilômetros da capital, Lisboa.
Segundo a crença, a Virgem apareceu outras cinco vezes ao longo do ano de 1917, fazendo várias profecias e recomendações, entregando três mensagens conhecidas como ''Os três segredos de Fátima''.
Sóror Lúcia, que morreu em 2005, poucos meses antes de João Paulo II, revelou há décadas os dois primeiros segredos: o primeiro transmitia uma visão do inferno, das guerras que atingiram a Europa, e o segundo falava em como reconverter o mundo.
O texto do terceiro mistério foi mantido em segredo por muitos anos, só tendo sido revelado em 2000, precisamente em Fátima.
Segundo o Vaticano, referia-se ao atentado que João Paulo II sofreu no dia 13 de maio de 1981 na praça de São Pedro, no 64º aniversário da primeira aparição de Fátima, e a luta entre o comunismo ateu e a igreja no século 20. Para o pontífice, o terceiro segredo é um apelo à conversão, à oração e à penitência.
Dez anos depois, Ratzinger regressa a Fátima como o primeiro pontífice alemão da era moderna para atualizar a profecia, ante a grave crise de credibilidade pela qual passa a Igreja

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