Papa acompanha ajoelhado a via-crúcis da Sexta da Paixão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de abril de 2001
Das Agências Da Cidade do Vaticano 
Pela primeira vez em 23 anos de pontificado, João Paulo II presidiu a tradicional via-crúcis noturna da Sexta-Feira da Paixão no Coliseu de Roma ajoelhado em um genuflexório (estrado para ajoelhar e orar, com apoio para os braços), sem acompanhar a procissão a pé.
O Papa, que completará 81 anos em maio e caminha com muita dificuldade em razão de uma prótese no fêmur direito, costumava carregar a cruz, de 3,5 kg, durante a procissão da Sexta-Feira Santa. Depois, por motivo de saúde, foi obrigado a levá-la somente durante a primeira e a última estação.
Na manhã de ontem, vestido todo de preto em sinal de luto, o Papa ouviu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a confissão de cerca de 12 fiéis de todo o mundo, mantendo uma tradição iniciada por ele em 1979, meses após tornar-se papa. À tarde, o Santo Papa celebrou também na basílica de São Pedro a liturgia que lembra a paixão de Cristo.
Os fiéis rezaram para que o Senhor conceda vida e saúde ao guardião da Igreja, guia e pastor do povo de Deus. Junto com o Papa, pediram pela união dos cristãos e pelos judeus. Até a reforma feita há 40 anos pelo Papa João XXIII, incentivador do diálogo judeu-cristão, na Sexta-Feira Santa os judeus eram acusados de ser os infames assassinos de Cristo.
Na noite de hoje o papa rezará uma missa à meia-noite local na Praça São Pedro, onde são aguardadas cerca de 25.000 pessoas. Outra cerimônia será realizada amanhã.
Em Jerusalém, peregrinos cristãos carregaram cruzes de madeiras e livros dourados de orações enquanto caminhavam pelas ruas da murada Cidade Velha, refazendo os últimos passos do percurso feito por Jesus Cristo durante a
via-crúcis. Mas os sete meses de conflitos entre israelenses e palestinos causaram a diminuição do público. Os grupos que seguiram em direção à Igreja do Santo Sepulcro onde, de acordo com a tradição, Jesus Cristo foi crucificado e sepultado eram notavelmente pequenos.
Hassan Nashashibi, dono de uma loja de lembranças nas proximidades do templo, lembrou das vendas do ano passado, quando exércitos de turistas compraram aproximadamente 2.000 cruzes. Até ontem de manhã, no entanto, ele vendera apenas 30.


