Valentín Paniagua, titular do Congresso peruano, prestou juramento ontem como presidente da República em substituição a Alberto Fujimori, que foi destituído pela legislatura por ‘‘incapacidade moral’’ para governar.
Paniagua prestou juramento no plenário do Congresso. Luz Salgado, vice-presidente da casa, ocupava o cargo de presidente em exercício da legislatura. Após jurar ‘‘por Deus e pela pátria’’, Paniagua recebeu a faixa presidencial. Logo depois, os deputados presentes começaram a cantar o hino nacional peruano.
Paniagua, um advogado de 64 anos, assume como presidente seis dias depois de ter sido eleito titular do Congresso pela maioria opositora que tomou o controle da casa, anteriormente nas mãos de deputados leais a Fujimori.
O novo presidente deverá ocupar o palácio do governo até 28 de julho do próximo ano, quando entregará o cargo a quem sair vencedor das eleições presidenciais marcadas para 8 de abril.
Paniagua, como titular do Congresso, estava na terceira posição da fila sucessória. Ele tomou posse depois das renúncias dos vice-presidentes Francisco Tudela e Ricardo Márques, cujas saídas foram aceitas pelo Congresso anteontem e ontem, respectivamente.
Paniagua acede automaticamente à chefia do estado ao se ativar um artigo constitucional que estabelece que ante o impedimento dos vice-presidentes a cadeira presidencial deve ser ocupada pelo presidente do Congresso, cargo que ocupava Paniagua desde quinta-feira passada.
O novo chefe de estado, de 64 anos, governará o país durante oito meses até entregar o comando a quem for eleito nas eleições gerais, programadas para 8 de abril.
A presidência recai em Paniagua, do Partido Ação Popular (centro), do ex- presidente Fernando Belaunde, depois que o Congresso aceitou sem maior debate a renúncia do segundo vice-presidente, Ricardo Márquez – por 63 votos a favor, 16 contra e 16 abstenções – que era o último obstáculo para que ocorra a sucessão presidencial.
‘‘E já caiu, a ditadura já caiu’’, gritaram os parlamentares que até anteontem constituíam a oposição e que ontem se converteram nas forças que apóiam o novo governo que marca uma nova etapa na história do Peru.
Paniagua assume a presidência em meio a uma grave crise de governabilidade e depois que o ex-presidente Fujimori enviou do Japão uma carta de renúncia que o congresso deixou de lado ao preferir declarar a vacância do cargo que exercia e destituí-lo por ‘‘permanente incapacidade moral’’.
A crise explodiu em setembro passado quando um vídeo mostrou o ex-assessor presidencial, Vladimiro Montesinos, procurado ainda intensamente pela Justiça, subornando um congressista da oposição para que fosse governista.
Isto levou o ex-presidente Fujimori a abreviar seu mandato presidencial de cinco anos e convocar eleições gerais para 8 de abril do próximo ano.
A descoberta de contas milionárias de Montesinos no exterior precipitou a crise, o que levou Fujimori a sair do país e a enviar sua carta de renúncia de Tóquio.

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