France PresseArafat faz anúncio duro, no CairoO presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, afirmou ontem, no Cairo que o povo palestino está ‘‘decidido’’ a ‘‘libertar a Cisjordânia’’.
‘‘Que fique claro que o povo palestino quer seu território, atualmente ocupado e está decidido a libertá-lo das garras da ocupação israelense’’, disse aos jornalistas Arafat, com o rosto sombrio, depois de entrevistar-se com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.
Arafat respondia às declarações feitas sexta-feira pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que a Cisjordânia faz parte ‘‘mesmo de Israel’’.
‘‘O que Netanyahu disse constitui uma flagrante violação ao processo de paz e aos acordos firmados’’, reiterou Arafat, que já se havia expressado, na sexta-feira, em termos praticamente iguais, em Luxemburgo, onde se entrevistou com a Secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, e com o Primeiro-Ministro Jean-Claude Juncker, presidente de turno da União Européia.
Arafat insistiu que ‘‘Jerusalém Oriental é a capital do Estado palestino’’. ‘‘Rechaçamos sua judaização e não renunciaremos a um único palmo de seu solo’’, acrescentou.
Em seguida, pediu aos Estados Unidos e à Rússia, patrocinadores do processo de paz, à União Européia e à comunidade internacional para que ‘‘adotem uma posição clara e concreta ante esta nova violação israelense aos tratados internacionais e aos acordos firmados’’ entre eles.
Quando um jornalista lhe perguntou se ainda tem alguma esperança no processo de paz, Arafat afirmou: ‘‘Fomos à (conferência de) Madri (em outubro de 1991) com o princípio fundamental de intercambiar paz por territórios e abrimos um novo capítulo, mas está claro que Netanyahu não quer esta paz’’.
‘‘Netanyahu quer paz em troca de segurança’’, acrescentou Arafat, que se preparava para deixar o Egito, aonde chegou sexta-feira à noite procedente de Luxemburgo.
Sexta-feira, em Jerusalém, Netanyahu também havia dito que os Estados Unidos nunca imporiam seu critério em questões cruciais para Israel, como é a de uma nova retirada militar de Cisjordânia. Albright respondeu a suas declarações lembrando que ‘‘a Cisjordânia é uma região e um território cujo estatuto permanente deve ser objeto de negociações’’.
Já a União Européia defende ‘‘sem ambiguidade o princípio da paz em troca dos territórios’’ palestinos ocupados por Israel, lembrou o Primeiro-Ministro luxemburguês.
Netanyahu e Arafat devem reunir-se separadamente com o presidente norte-americano, Bill Clinton, mas Arafat já antecipou que não espera grandes resultados do encontro.

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