Palestinos terão primeiro-ministro
Ramallah, Cisjordânia O Conselho Legislativo Palestino (CLP, parlamento) decidiu ontem criar o cargo de primeiro-ministro e começou a discutir suas atribuições. O resultado deste debate irá determinar a resposta de Mahmud Abbas (Abu Mazen), secretário-geral e ''número dois'' da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que foi indicado para o cargo pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat.
A moção foi adotada por 64 votos, com três contrários e quatro abstenções, durante uma sessão extraordinária da CLP em Ramallah.
Em seu discurso na abertura desta sessão do parlamento, Arafat pediu à comunidade internacional que faça tudo que estiver a seu alcance para evitar uma ofensiva militar contra o Iraque, destacando que um conflito aumentaria a tensão no Oriente Médio.
Também pediu a publicação e a aplicação o mais rápido possível da ''agenda'' do ''Quarteto'' (Estados Unidos, ONU, Rússia e a União Européia), um plano destinado a trazer uma solução para o conflito israelense-palestino.
Este documento prevê a criação por etapas de um Estado palestino em 2005. Israel manifestou sérias reservas sobre seu contenúdo e conseguiu impedir sua publicação até o momento graças ao apoio dos Estados Unidos.
''Peço à comunidade internacional que detenha a guerra contra nossos irmãos irquianos e que dêem uma oportunidade aos inspetores da ONU para que apliquem a decisão do Conselho de Segurança'', declarou Arafat.
''Se começar uma guerra, haverá um abalo na segurança de toda a região'', disse, acusando Israel de querer aproveitar o momento para ''completar seus planos expansionistas e efetuar a remoção dos palestinos'', o que em outras palavras significaria, expulsá-los para os países árabes vizinhos.
Os palestinos temem principalmente que Israel aproveite o conflito no Iraque para voltar a ocupar a Faixa de Gaza.
Antes de se pronunciar sobre a eleição de Abbas, o CLP deve destinar esta sessão para determinar as funções do futuro primeiro-ministro, dentro de uma reforma da Autoridade Nacional Palestina que pretende reduzir os poderes até agora absolutos de Arafat.





