Palestinos se preparam para Ramadã sem ocupação israelense
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sábado, 01 de outubro de 2005
France Presse 
Gaza - Acostumados ao barulho dos bombardeios, os palestinos de Gaza, que se preparam para celebrar o primeiro Ramadã sem ocupação israelense, têm a esperança de ouvir apenas, durante o mês sagrado, o som do canhão que anuncia o fim do dia de jejum.
Os habitantes do território palestino, afetado pela pobreza e uma das maiores densidades demográficas do mundo, sonham em passar o primeiro Ramadã após a retirada israelense em um ambiente festivo, mas, depois da recente onda de violência, temem pelo pior.
Os disparos de foguetes contra Israel e os ataques aéreos do Estado hebreu em represália pararam há três dias e durante o Ramadã, que começa esta semana, não desejam ouvir outra explosão que não seja a do canhão que anuncia o Iftar (a refeição).
canhão centenário que era utilizado em Gaza durante o Ramadã se calou por alguns anos, depois da ocupação do território por parte de Israel em 1967, lembram os idosos. Agora está exposto como um objeto antigo na entrada da prefeitura de Gaza. ''Este canhão do Ramadã, que não é mais usado, foi encontrado há vários anos em um dos armazéns do município'', explica o porta-voz municipal Naser al-Soweir.
O uso de um outro canhão é uma questão que está na ordem do dia. ''O problema é que não temos outro, mas estamos em contato com a Autoridade Palestina para que forneça'', acrescentou al-Soweir.
Tawfiq Abu Jusa, porta-voz do ministério do Interior, garantiu que as autoridades se esforçarão para atender o pedido. ''Agora que o ocupante partiu, as pessoas poderão 'reviver' o Ramadã'', disse.
Abu Mohamad Zaydiyeh, de 58 anos, lembra os Ramadãs antigos. ''Há 30 anos rompíamos o jejum ao som do canhão. Espero que revivamos os velhos tempos''. O mercado local vive repleto de pessoas que fazem as compras de Ramadã, mês no qual até as famílias mais modestas cometem excessos para garantir arroz, carne, frango, verduras e especiarias em casa.
Safaa Yassin, que vive no bairro de al-Zeitun, espera que o mês transcorra sem ataques israelenses. ''Rezo para que possamos tomar nosso Iftar tranquilamente, sem medo dos ataques israelenses'', disse a mulher de 30 anos.
Rami al-Bayed, de 20 anos, se conformaria em visitar a irmã e a tia, que vivem em Khan Yunes e Rafah, sul da Faixa de Gaza, ''sem ter que cruzar os postos de controle israelenses. O último mês do Ramadã em Gaza coincidiu com uma ofensiva israelense que deixou mais de 130 palestinos mortos.


