Protestos, com feridos, foram registrados em vários países árabes; Hamas convocou uma "nova intifada" e grupos palestinos anunciaram greve geral
Protestos, com feridos, foram registrados em vários países árabes; Hamas convocou uma "nova intifada" e grupos palestinos anunciaram greve geral | Foto: Abbas Momani/AFP



Jerusalém - Palestinos enfurecidos entraram em confronto com soldados israelenses e queimaram o retrato de Donald Trump nesta quinta-feira (7) para protestar contra a decisão unilateral e potencialmente explosiva do presidente americano de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Mais de 20 palestinos ficaram feridos por balas de borracha ou balas verdadeiras em distúrbios registrados em toda a Cisjordânia e na Faixa de Gaza, territórios separados que deveriam foram um dia um Estado independente, segundo os serviços de emergência palestinos. Neste contexto de tensão, o movimento islamita Hamas convocou uma nova sublevação palestina, conhecida como "intifada", enquanto vários grupos palestinos convocaram uma greve geral.

"Não se pode enfrentar a política sionista dos Estados Unidos mais do que lançando uma nova intifada", disse o chefe de Hamas, Ismail Haniyeh, em um discurso feito em Gaza. Os dirigentes palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, ocupado e anexado por Israel em 1967, como a capital do Estado que aspiram. Entretanto, Israel considera que toda Jerusalém, tanto o leste como o oeste, é sua capital "eterna e indivisível".

Até agora a comunidade internacional não quis reconhecer Jerusalém como capital, uma questão muito delicada e considerada chave no processo de paz. Em Jerusalém Oriental, a parte palestina da cidade, considerada como ocupada pela comunidade internacional, as lojas e as escolas foram fechadas nesta quinta-feira por uma greve convocada por grupos palestinos.

Jovens palestinos e soldados israelenses entraram em confronto em Hebron, no sul da Cisjordânica, e em Ramallah, a capital política palestina. Belém, Qalqilya e os arredores de Ramallah também foram palco de distúrbios.

Apesar do alerta de muitos dos aliados, Trump rompeu na quarta-feira com a política de seus antecessores e ordenou o futuro traslado para Jerusalém da embaixada americana, que agora está em Tel Aviv. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, expressou temores de um retorno "aos tempos sombrios", enquanto a Rússia disse estar "muito preocupada".

Analistas e observadores temem que a decisão de Trump abra um novo conflito pelo status dessa cidade, onde há lugares santos judeus, cristãos e muçulmanos. A decisão colocará a região "em um círculo de fogo", advertiu o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que quer mobilizar o mundo muçulmano.

Até a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, criticou o ato, qualificando-o de "irresponsável". O reconhecimento de Jerusalém enfureceu os líderes da Autoridade Palestina, a entidade reconhecida internacionalmente como prefiguração de um futuro Estado palestino independente.

Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu saudou o "dia histórico". "O presidente Trump entrou para sempre na história de nossa capital", disse na quinta-feira.

A decisão coloca em xeque o papel histórico de mediador dos Estados Unidos como mediador de paz, lamentou o presidente palestino Mahmud Abbas.

Em sua chegada à Casa Branca, Trump prometeu buscar um acordo diplomático, mas os esforços de sua administração não tiveram resultado até agora. "Os Estados Unidos continuam determinados a ajudar a facilitar um acordo de paz aceitável para as duas partes", assegurou Trump.

"Como eu poderia me sentar à mesa com aqueles que me impõem o futuro de Jerusalém como capital de Israel?", disse o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat.

Os palestinos convocaram "três dias de fúria" a partir de quarta-feira, quando milhares de pessoas foram às ruas na Faixa de Gaza gritando "Morra América!" e "Morra Israel!" Para sexta-feira, dia da tradicional oração semanal dos muçulmanos, são esperadas novas manifestações em massa. Também na sexta o Conselho de Segurança da ONU, a pedido de oito países - entre eles Egito, França e Reino Unido - se reunirá em caráter de urgência para tratar a questão.

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