Jerusalém - Mahmud Abbas, o novo dirigente da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), sentou-se no domingo na cadeira reservada ao falecido líder palestino Yasser Arafat em uma reunião de dirigentes, e horas depois foi recebido com tiros em Gaza por cidadãos que se recusam a considerá-lo como o herdeiro natural do 'rais' (chefe).
Quatro dias depois do anúncio da morte de Yasser Arafat morto quinta-feira passada aos 75 anos em um hospital militar francês , Abbas, também conhecido como Abu Mazen, assumiu as prerrogativas do 'rais' na OLP e será provavelmente o candidato favorito nas eleições presidenciais palestinas, previstas para o dia 9 de janeiro de 2005.
Uma fonte próxima às instâncias dirigentes do Fatah, movimento político fundado por Arafat, revelou que Abbas já era o candidato oficial do Fatah para estas eleições. A notícia não foi bem recebida pelos palestinos mais fiéis a Arafat, que consideram Abu Mazen um negociador moderado e contrário aos métodos violentos empregados na Intifada. Abbas foi o primeiro-ministro de Arafat de 2002 a 2003, mas os dois nunca conseguiram se entender, principalmente pelo fato de Abu Mazen manter relações privilegiadas com os Estados Unidos e ser um interlocutor válido para Israel.
''Muitos em Gaza e na Cisjordânia se recusam a aceitar Abu Mazen como o sucessor de Arafat'', afirmou o analista israelense Danny Rubinstein, sustentando que a atual tendência nos territórios palestinos é que ''os que foram adversários de Arafat o estão substituindo'', provocando respostas violentas em Gaza e na Cisjordânia.
Assim se explica o confronto registrado no domingo em Gaza, onde Abbas foi receber mensagens de condolências pela morte de Arafat e se reunir com diversos grupos palestinos, incluindo os mais radicais. Ainda não está claro se o tiroteio, no qual morreram dois guarda-costas, tinha como objetivo matar Abu Mazen, mas foi sua presença no local que levou radicais armados do Fatah a clamar slogans hostis ao novo dirigente da OLP.
Apesar de Abu Mazen aparecer como o candidato dos líderes do Fatah, o nome mais ouvido nas ruas é o de Marwan Barguthi, ex-dirigente do Fatah na Cisjordânia preso desde 2002 e considerado por Israel como um dos instigadores da Intifada. Para os palestinos, este homem de 45 anos encarna melhor o carisma, a rebeldia e a luta de Arafat que Abu Mazen. Na Cisjordânia, as manifestações a favor de sua libertação são constantes. Na sexta-feira passada, durante o enterro de Arafat em Ramallah (Cisjordânia), o nome de Barguthi foi louvado junto ao do falecido 'rais'.

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