O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, propôs ontem uma transferência adicional de 10% da Cisjordânia à Autoridade Palestina, para um eventual ‘‘acordo interino prolongado’’, que os palestinos recusaram.
‘‘Se não conseguirmos chegar a um acordo sobre Jerusalém e os refugiados, podemos concluir um acordo interino prolongado, através do qual entregaríamos 10%, visando a assegurar a continuidade territorial (na Cisjordânia), caso se reconheça um Estado palestino’’, afirmou Barak, em uma entrevista coletiva à imprensa em Tel Aviv.
Pouco depois, no entanto, os palestinos rejeitaram a proposta de Barak e exigiram um acordo definitivo, que solucione as difíceis questões de Jerusalém e dos refugiados palestinos.
‘‘Todo acordo interino é completamente rejeitado’’, declarou ontem o assessor do líder palestino Yasser Arafat, Nabil Abu Rudeina. ‘‘Todo adiamento (sobre o acordo de paz definitivo) é completamente rejeitado. Uma paz justa terá que ser baseada em soluções globais, que incluam Jerusalém e os refugiados, porque sem isso não haverá nem paz nem segurança na região’’, acrescentou Rudeina.
Barak estimou que as questões sobre o futuro de Jerusalén Oriental (anexada por Israel em 1967) e o direito ao retorno dos refugiados palestinos, problemas mais difíceis de resolver, ‘‘poderão ser acertados depois, em um acordo dentro de dois ou três anos’’.
Os palestinos já haviam rejeitado qualquer acordo interino, quando Barak introduziu esta idéia, há alguns dias. Atualmente, os palestinos controlam parcial ou totalmente cerca de 40% da Cisjordânia. ‘‘Mas têm que ser dois para fazer a paz, enquanto pode ser apenas um para fazer a guerra’’, acrescentou um militante trabalhista, responsabilizando novamente os palestinos pela violência.
Por outro lado, Barak afirmou que a busca de um acordo não seria influenciada pela proximidade das eleições antecipadas, previstas para a primavera (no Hemisfério Norte) de 2001. ‘‘Não faremos nada para influenciar o resultado das eleições’’, sublinhou o premier israelense, reiterando não estar disposto a assinar uma ‘‘paz a qualquer preço’’. Barak disse também que ‘‘não há contato previsto em um encontro em Cairo entre eu e Yasser Arafat’’.
Após a coletiva, Barak deveria participar de uma reunião do comitê central do Partido Trabalhista perto de Tel Aviv, que ele convocou para marcar a data das eleições primárias destinadas a escolher o candidato trabalhista ao cargo de premier nos próximos comícios.

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