Gaza - Aos gritos de ''vingança!'', cerca de 200 mil palestinos prestaram ontem em Gaza e na Cisjordânia a uma última homenagem ao líder do Hamas, Abdelaziz Al-Rantissi, assassinado por Israel num ataque áereo, em meio às ameaças do movimento radical palestino de desatar um ''vulcão de vingança'' contra o Estado hebreu.
Em nada impressionado com estas manifestações nem com a onda de críticas do mundo contra o assassinato de Al-Rantissi, o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon anunciou ontem que a eliminação de ''terroristas'' continuará antes da retirada de Israel de Gaza.
Envolto na bandeira verde do Hamas, os restos mortais com o rosto descoberto de Al-Rantissi, foram levados nos ombros por ativistas do movimento radical do hospital A-Shifa, onde faleceu, à casa da família no bairro de Al-Nasr, no norte da cidade de Gaza.
Com enormes bandeiras na qual se podia ler ''não há outro Deus senão Alá e Maomé é seu profeta'', a multidão compacta caminhou pelas principais ruas de Gaza, enquanto homens armados disparavam para o ar. Os gritos de vingança e pedindo atentados contra Tel Aviv eram os mais ouvidos.
Al-Rantissi, que tinha 56 anos, e seus dois guarda-costas mortos no ataque israelense, foram transportados ao ''cemitério dos mártires'', onde também foi enterrado o chefe espiritual e fundador do movimento Hamas, o xeque Ahmed Yassin assassinato no dia 22 de março por Israel nas mesmas circunstâncias.
O Hamas designou um novo dirigente para os territórios palestinos, sem revelar sua identidade, por motivos de segurança.
''Vamos fazer explodir um vulcão de vingança'', anunciaram as Brigadas Ezzedin Al-Qassam. ''Vingaremos cem vezes o sangue de Al-Rantissi e de Yassin'', acrescentaram.
Em Israel, o exército, a polícia e os serviços de segurança estavam em estado de alerta geral por temor a atentados enquanto era reforçada o fechamento das fronteiras com a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, vigente desde a eliminação de Yassin.
Sharon ''felicitou'' os serviços de segurança israelenses pela morte de Al-Rantissi, afirmando ante o conselho de ministros que a política de eliminação dos ''chefes das organizações terroristas'' continuará.
Seu plano de retirada da Faixa de Gaza recebeu ontem o apoio de seu principal adversário, o ministro das Finanças Benjamin Netanyahu. Este apoio se soma ao de outros dirigentes do Likud (direita), o que deve permitir a Sharon obter a adesão da base de seu partido, convocada a se pronunciar sobre esse projeto num referendo no dia 2 de maio.

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