São Paulo - Centenas de palestinos saíram ontem às ruas de Ramallah, na Cisjordânia, em protesto contra o veto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao plano de adesão da Autoridade Nacional Palestina (ANP) à Organização das Nações Unidas (ONU) como Estado-membro.
Os manifestantes, reunidos perto da Muqataa, a sede da presidência da ANP, exibiam faixas com as frases ''vergonha dos que se dizem democratas'' e ''América é a cabeça da serpente''.
Anteontem, em seu discurso na abertura da 66 Assembleia Geral das Nações Unidas, Obama rejeitou os planos palestinos ao argumentar que ''não há atalhos para a paz no Oriente Médio''. Horas mais tarde, encontrou-se com o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, e reiterou que Washington vai vetar o pedido palestino no Conselho de Segurança da ONU.
Obama também deixou claro que a amizade entre os EUA e Israel é ''profunda'' e que seu país jamais deixará de trabalhar para garantir a segurança do Estado hebreu. Na Cisjordânia, o discurso foi considerado ''pró-israelense'' e ''traidor'' à causa dos palestinos.
A delegação de diplomatas americanos que estavam presentes na Assembleia Geral da ONU ontem deixou o plenário durante o discurso do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Durante seu discurso, Ahmadinejad criticou intervenções da Otan, a aliança militar do Ocidente, e disse que os atentados ocorridos em 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, que deixaram quase 3 mil mortos, foram um ''ato misterioso''.
''Como pode a democracia florescer a partir das bombas e mísseis da Otan?'', questionou ele durante sua fala. ''Como podem os países ocidentais usarem o Holocausto como desculpa para manter políticas opressivas?'' Mais de dezenas de diplomatas de outros países, incluindo França, saíram da sala pouco tempo depois.
Ahmadinejad atacou os EUA por conta do histórico com a escravidão, os acusando de causar as duas Guerras Mundiais, de usar bombas nucleares contra ''pessoas inocentes''.

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