Palestinos pedem força de paz da ONU
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terça-feira, 31 de outubro de 2000
Associated Press De Nova York 
Os palestinos propuseram ontem a criação de uma missão de 2 mil observadores armados da Organização das Nações Unidas (ONU), que seriam enviados aos territórios palestinos para proteger os civis da recente violência.
Na semana passada, os palestinos pediram ao Conselho de Segurança o envio de uma força protetora da ONU a Jerusalém e aos territórios ocupados em defesa da população civil, mas o Conselho não chegou a uma decisão final sobre a proposta.
Com o apoio do Movimento dos Países Não-Alinhados, os palestinos ampliaram o alcance de sua iniciativa.
O representante palestino perante a ONU, Nasser al-Kidwa, disse que a proposta tem em vista uma missão com um mandato de seis meses que poderia ser ampliado, se necessário.
A missão se instalaria ao longo de todo o território ocupado por Israel desde 1967 e, se não puder alcançar todo o território, a força poderia recorrer a outras missões da ONU na região, acrescentou al-Kidwa que assim se referiu a outras missões de paz da ONU na zona, que supervisionam o cumprimento de tréguas que remontam ao ano de 1948.
Israel rejeitou a proposta de envio de uma força de segurança à região, enquanto os EUA firmes aliados de Israel consideraram que o envolvimento do Conselho de Segurança no conflito será de pouca ajuda.
O embaixador americano Richard Holbrooke disse que os EUA vetarão qualquer resolução anti-Israel apresentada ao Conselho.
Israel advertiu ontem que pode aplicar golpes mais fortes na Autoridade Palestina, um dia depois que os helicópteros de combate israelenses bombardearam objetivos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Depois de uma nova noite marcada por incidentes armados, novos choques se registraram ontem entre palestinos e soldados israelenses na Faixa de Gaza, causando dois mortos e cinco feridos palestinos, alguns destes últimos em estado grave.
Anteontem à noite, helicópteros israelenses atacaram uma instalação da Força 17, a guarda pessoal do presidente palestino Yasser Arafat na Faixa de Gaza, outra do Fatah (principal órgão da OLP) em Nablus (Norte da Cisjordânia) e o quartel general dos Tanzim (milícia do Fatah) em El Bireh, perto de Ramallah, na Cisjordânia, segundo um comunicado do exército.
Esses ataques foram uma resposta à morte de dois israelenses em Jerusalém Leste: um habitante do bairro de colonização judia de Gilo e um guarda de segurança.
Esses ataques não constituem um castigo, mas uma forma de dissuasão, para que entendam que o exército israelense tem os meios e a capacidade de aplicar golpes muito mais duros nas instituições e nos interesses da Autoridade Palestina, declarou o principal conselheiro do primeiro-ministro Ehud Barak, Danny Ytom.
Tal como havia ocorrido nas noites anteriores, a de anteontem também foi marcada por uma série de incidentes armados.
Houve disparos contra posições do exército de Israel e contra colônias judias, como Psagot e Vered Jericó, na Cisjordânia, informou um porta-voz do exército.
O exército reagiu disparando contra o agressor, prosseguiu o porta-voz. Em um mês, os choques entre palestinos e soldados israelenses causaram 156 mortos, a grande maioria palestinos, e cerca de 4 mil feridos.
O movimento Fatah do presidente palestino Yasser Arafat indicou ontem que decretou um estado de alerta máximo ante os ataques aéreos de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
A Intifada (levante) de nosso povo vai continuar para enfrentar as incursões até que termine a ocupação israelense, diz o texto do Fatah.


