Palestinos forçam saída de israelenses
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de outubro de 2000
Das agências Oriente Médio 
Evacuação de um posto militar avançado na Cisjordânia foi forçada pelo ataque de atiradores palestinos e encarado pelos israelenses como uma humilhação
Tropas israelenses deixaram a área da tumba do patriarca bíblico José, em Nablus (Cisjordânia) e entregam o controle do local aos palestinos. A evacuação de um posto militar avançado foi forçada pelo ataque de atiradores palestinos e encarado pelos israelenses como uma humilhação. Durante o confronto um soldado das tropas de Israel foi morto.
Logo após a desocupação, milhares de palestinos saquearam a pequena construção que abriga a suposta tumba do patriarca bíblico e a destruíram com barras de ferro, picaretas e martelos.
Esta foi a primeira vez que os palestinos forçaram a saída de tropas israelenses de uma das áreas ocupadas. O sucesso da manobra poderia amenizar as tensões entre os dois grupos pois foi considerada uma vitória pelo líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Contudo, devido à sensação de triunfo uma multidão de jovens palestinos atirou uma bomba incendiária contra um posto policial e hasteou uma bandeira judia no templo. Oficiais da Palestina impediram os jovens de provocar os israelenses na Cidade Velha, fortemente cercada.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, tem ficado isolado politicamente devido à dificuldade de entendimento com Arafat. A tensão que tem como pano de fundo o controle de Jerusalém foi deflagrada pela visita do líder do partido de direita, Likud Ariel Sharon a um templo sagrado para os judeus e muçulmanos em Monte do Templo. Sharon é acusado do massacre de judeus quando foi primeiro-ministro do país na década de 80. Os embates, que já duram mais de uma semana, causaram a morte de, pelo menos, 77 pessoas sendo a maioria palestinos.
Ontem, em Formentor (Ilhas Baleares, Espanha), o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, responsabilizou Israel pelos confrontos registrados nos territórios palestinos, e denunciou a existência de um plano militar e econômico israelense contra o povo palestino.
O governo israelense pôs em funcionamento um plano militar e econômico, um verdadeiro cerco aos territórios palestinos destinado a fazer com que nosso povo passe fome, para que a situação se agrave, afirmou o líder palestino no arquipélago espanhol, onde participa de um fórum sobre a segurança no Mediterrâneo.
Israel, segundo Arafat, dá prosseguimento a uma política de fatos consumados destinada a aumentar seus assentamentos nos territórios palestinos ocupados, principalmente em Al-Qods (Jerusalém), com o objetivo de judaizar essa cidade e os locais sagrados cristãos e muçulmanos, isolar a cidade de Belém (Sul da Cisjordânia), reforçar as zonas militares ao redor de localidades palestinas e usar o Exército contra o povo palestino.
Arafat estimou que a violência desencadeada semana passada pela visita do líder da direita israelense, Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, causou 110 mártires e mais de 2,8 mil feridos. Para o líder palestino, a premeditação do plano ficou clara com a autorização que o premier de Israel, Ehud Barak, deu para a visita de Sharon.
Mostrei a José María Aznar (presidente do Governo espanhol) os relatórios do estado-maior militar israelense desaconselhando energicamente a visita do líder da direita israelense à mesquita al-Aqsa, sublinhou Arafat, lamentando que, apesar da advertência, Israel mobilizou três mil soldados para acompanhar Sharon.
O governo israelense demonstra assim que não quer a paz, disse o líder palestino, lembrando os vários acordos fechados com os israelenses desde o início do processo de paz, em setembro de 1993.


