Evacuação de um posto militar avançado na Cisjordânia foi forçada pelo ataque de atiradores palestinos e encarado pelos israelenses como uma humilhação
Tropas israelenses deixaram a área da tumba do patriarca bíblico José, em Nablus (Cisjordânia) e entregam o controle do local aos palestinos. A evacuação de um posto militar avançado foi forçada pelo ataque de atiradores palestinos e encarado pelos israelenses como uma humilhação. Durante o confronto um soldado das tropas de Israel foi morto.
Logo após a desocupação, milhares de palestinos saquearam a pequena construção que abriga a suposta tumba do patriarca bíblico e a destruíram com barras de ferro, picaretas e martelos.
Esta foi a primeira vez que os palestinos forçaram a saída de tropas israelenses de uma das áreas ocupadas. O sucesso da manobra poderia amenizar as tensões entre os dois grupos pois foi considerada uma vitória pelo líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Contudo, devido à sensação de triunfo uma multidão de jovens palestinos atirou uma bomba incendiária contra um posto policial e hasteou uma bandeira judia no templo. Oficiais da Palestina impediram os jovens de provocar os israelenses na Cidade Velha, fortemente cercada.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, tem ficado isolado politicamente devido à dificuldade de entendimento com Arafat. A tensão – que tem como pano de fundo o controle de Jerusalém – foi deflagrada pela visita do líder do partido de direita, Likud Ariel Sharon a um templo sagrado para os judeus e muçulmanos em Monte do Templo. Sharon é acusado do massacre de judeus quando foi primeiro-ministro do país na década de 80. Os embates, que já duram mais de uma semana, causaram a morte de, pelo menos, 77 pessoas – sendo a maioria palestinos.
Ontem, em Formentor (Ilhas Baleares, Espanha), o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, responsabilizou Israel pelos confrontos registrados nos territórios palestinos, e denunciou a existência de um ‘‘plano militar e econômico israelense’’ contra o povo palestino.
O governo israelense pôs em funcionamento um ‘‘plano militar e econômico, um verdadeiro cerco aos territórios palestinos destinado a fazer com que nosso povo passe fome, para que a situação se agrave’’, afirmou o líder palestino no arquipélago espanhol, onde participa de um fórum sobre a segurança no Mediterrâneo.
Israel, segundo Arafat, ‘‘dá prosseguimento a uma política de fatos consumados destinada a aumentar seus assentamentos nos territórios palestinos ocupados, principalmente em Al-Qods (Jerusalém), com o objetivo de judaizar essa cidade e os locais sagrados cristãos e muçulmanos, isolar a cidade de Belém (Sul da Cisjordânia), reforçar as zonas militares ao redor de localidades palestinas e usar o Exército contra o povo palestino’’.
Arafat estimou que a violência desencadeada semana passada pela visita do líder da direita israelense, Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, causou ‘‘110 mártires e mais de 2,8 mil feridos’’. Para o líder palestino, a premeditação do plano ficou clara com a ‘‘autorização’’ que o premier de Israel, Ehud Barak, deu para a visita de Sharon.
‘‘Mostrei a José María Aznar (presidente do Governo espanhol) os relatórios do estado-maior militar israelense desaconselhando energicamente a visita do líder da direita israelense à mesquita al-Aqsa’’, sublinhou Arafat, lamentando que, apesar da advertência, ‘‘Israel mobilizou três mil soldados para acompanhar Sharon’’.
‘‘O governo israelense demonstra assim que não quer a paz’’, disse o líder palestino, lembrando os vários acordos fechados com os israelenses desde o início do processo de paz, em setembro de 1993.

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