Palestinos fazem manifestação contra o encontro no Egito
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de outubro de 2000
Associated Press e France Presse De Jerusalém 
Ativistas palestinos contrários à participação árabe na reunião de cúpula prevista para hoje em Sharm El Sheikh entraram em choque com militares israelenses nas cidades de Hebron e Belém, na Cisjordânia. Os incidentes, porém, tiveram consequências menos graves do que os choques registrados nas últimas duas semanas, que causaram a morte de mais de uma centena de pessoas - na maior parte, palestinos e cidadãos israelenses de origem árabe. Em Beirute, palestinos e muçulmanos libaneses também foram às ruas.
Em Hebron, os manifestantes lançaram uma granada contra os militares israelenses que tentavam contê-los. Em Belém, os ativistas lançaram coquetéis molotov contra os soldados. Nos dois casos, os israelenses responderam com tiros de balas de borracha.
Os militares israelenses tiveram também de usar a força para impedir que um grupo de extremistas judeus entrasse na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, local sagrado para muçulmanos e judeus. Eles pretendiam realizar no local uma cerimônia de lançamento da pedra fundamental de um templo judaico.
Jovens palestinos lançaram pedras contra veículos israelenses na saída de um túnel que liga a parte sul de Jerusalém com um bloco da colônia judaica de Gush Etzión. Na aldeia palestina de Kuchin no norte da Cisjordânia, houve um tiroteio sem vítimas.
A Rádio Israel noticiou ainda outra mal-esclarecida troca de tiros sem vítimas na fronteira com a Jordânia, aparentemente entre guardas de fronteira jordanianos e policiais israelenses.
O governo israelense destinou ontem uma verba de emergência equivalente a US$ 6 milhões para reforçar a segurança de assentamentos judaicos nos territórios palestinos. A suplementação do orçamento é parte do plano de contingência para o caso de fracasso da reunião em Sharm El Sheikh.
O governo desbloqueou US$ 6 milhões para reforçar a segurança nos já muito bem protegidos assentamentos, nos quais vivem cerca de 200 mil judeus no interior dos territórios palestinos.
O dinheiro será empregado na instalação de equipamentos adicionais de vigilância, assim como para cavar trincheiras em torno das colônias, declarou à rádio pública o comandante das forças israelenses na Cisjordânia, o general Benny Gantz.
O reforço da segurança visam os assentamentos da Cisjordânia, uma vez que os situados na Faixa de Gaza, o maior território palestino, já foram fortificados.


