Palestinos enterram líder da Brigadas de Al-Aqsa
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de junho de 2004
France Presse 
Nablus - Trinta mil palestinos acompanharam ontem, em Nablus, o funeral de Nayef Abu Sharekh, chefe das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa na Cisjordânia, e de outros seis ativistas mortos no sábado pelo exército israelense.
Os palestinos denunciaram a operação como ''um crime'' e os grupos armados prometeram vingança, enquanto Israel comemorou um ''êxito na luta antiterrorista''.
O exército israelense se retirou na madrugada de ontem da casbah (cidade antiga) de Nablus. ''Nossas forças se deslocaram novamente depois de três dias de operações e depois de cumprir os objetivos determinados'', afirmou um porta-voz do exército.
Sharekh morreu em um esconderijo, ao lado de outros seis ativistas armados, entre eles Jafer Masri, chefe local do braço armado do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), e Faddi Bahti, chefe local da Jihad Islâmica.
O primeiro-ministro palestino Ahmed Qorei qualificou a operação de ''crime odioso'', acusando Israel de assassinar ''combatentes da liberdade''.
Já o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon felicitou seu exército, ao declarar que se tratava de ''um impressionante êxito na luta antiterrorista''.
As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo armado vinculado ao Fatah do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, divulgou um comunicado anunciando represálias e sua decisão de responder ''de uma forma como nunca se viu, atacando soldados, colonos e em Israel''.
''Conseguimos eliminar um verdadeiro estado-maior terrorista em três dias de operações'', comemorou o tenente-coronel israelense Itzik Bar, que comanda o batalhão de pára-quedistas que opera na casbah.
Um ataque com explosivos, reivindicado pelo movimento islamita Hamas e as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, deixou ontem inúmeros feridos no sul da colônia judia de Kfar Darom, sul da Faixa de Gaza, segundo um balanço da Magen Dad Adom, a Cruz Vermelha israelense. Além disso, dois palestinos morreram por disparos israelenses no setor de Khan Yunes, sul da Faixa de Gaza.
Ainda no plano diplomático, um alto dirigente israelense classificou de ''grave erro'' a reunião prevista para a próxima terça-feira, em Ramallah, entre o ministro francês das Relações Exteriores, Michel Barnier, e Yasser Arafat.
O ministro palestino encarregado das negociações, Saeb Erakat, no entanto, destacou a grande importância dessa reunião e afirmou que a Autoridade
Palestina ''aprecia muito o papel da França'' no conflito.


