Para levar seu bebê enfermo ao hospital da cidade palestina de Ramalah, Etimad Yassine teve de subir uma colina durante hora e meia por um caminho poeirento, passar ao largo de um posto de controle de soldados israelenses e buscar um meio de transporte. Etimad Yassine vive em Jelazune, a 2 km de Ramalah, um acampamento de refugiados sob administração civil palestina, mas controlado militarmente por Israel.
''Que vida miserável'', suspira esta mulher de 30 anos, recobrando seu fôlego em cima da colina, onde os táxis esperam passageiros para levá-los à cidade. ''Antes só precisava de 10 minutos para ir ali, agora é uma hora e meia'', diz.
Sua vida, como a de centenas de milhares de palestinos, está pautada pelas esperas nos diferentes postos de controle e pelos desvios que deve fazer para passar, sob a visão dos militares israelenses, de uma área para outra.
Desde o começo da Intifada, no dia 28 de setembro do ano passado, o exército fechou várias vezes os pontos de travessia entre Israel e os territórios palestinos, decidindo de maneira aleatória a quem deixar passar e quando.
Em alguns dias, os palestinos podem ir de uma zona para outra em automóvel sem muitas dificuldades, mas em outros dias esbarram com soldados agressivos, que proíbem a passagem de veículos em qualquer sentido.
''Hoje vou poder voltar para casa sem problemas'', estima Yussuf Hacona, de 25 anos, que se prepara para percorrer em sentido inverso o caminho que havia sido tomado pela mãe com seu bebê doente. ''O exército não está. Ontem, lançaram contra nós granadas de gás e levei muito tempo para conseguir passar'', conta.
A passagem clandestina fica a menos de 500 metros da estrada asfaltada, bloqueada permanentemente, que vai de Ramalah a Nablus (Norte da Cisjordânia) e que margeia a colônia judia de Beit El.

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