Ramallah, Cisjordânia Mais de 1,2 milhão de palestinos de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental elegerão hoje o sucessor de Yasser Arafat, falecido há dois meses, numa votação que tem como grande favorito Mahmud Abbas, companheiro de batalha de Arafat por mais de 40 anos. Esta será a segunda eleição presidencial da história da Autoridade Palestina, depois da celebrada em 1996. A ocasião é crucial, já que o novo presidente terá diante de si o objetivo e a oportunidade de incentivar as negociações com Israel, que nos últimos anos se negou a aceitar Arafat como interlocutor, por considerar que ele fomentava o terrorismo.
Para garantir que a votação seja transparente apesar da crônica situação de violência, centenas de observadores dos cinco continentes viajaram para a região. Ao mesmo tempo, o exército israelense suavizou os controles nas estradas e prometeu se retirar das cidades autônomas palestinas de ontem até amanhã. Graças à pressão internacional, Israel também permitirá que os habitantes de Jerusalén Oriental votem em cinco locais na cidade santa ou em qualquer outro ponto da Cisjordânia.
Uma trégua não declarada mas respeitada pela maioria dos grupos armados fez com que não fossem registrados atentados suicidas contra Israel nos últimos dias. No entanto, a violência segue presente na região. As incursões militares israelenses e as infiltrações de palestinos em colônias ou postos militares de Israel são quase diárias. Apenas na sexta-feira, três palestinos e um israelense morreram violentamente. O saldo de mortos desde o início da Intifada, em setembro de 2000, se aproxima de 5 mil.
Salvo surpresas de última hora, Abbas, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), vencerá a eleição com mais de 60% dos votos. Seu único rival, o candidato independente Mustafah Barghuti, aparece com apenas 28% das intenções de voto nas pesquisas. Os outros cinco aspirantes não representam nenhum risco para o favorito. Abbas, de 69 anos, mais conhecido como Abu Mazen, permaneceu na sombra de Arafat desde a década de 60. Conhecido por seu caráter moderado e sua oposição à luta armada, o candidato goza da aprovação de Israel e dos Estados Unidos, o que provoca o receio dos grupos palestinos mais radicais.
No entanto, durante sua campanha, Abbas garantiu que não renunciará aos ideais históricos de seu povo como o retorno dos refugiados, a libertação dos presos em penitenciárias israelenses, o fim da ocupação e a aspiração de tornar Jerusalém a capital de um futuro Estado palestino. ''Al Qods (Jerusalém Oriental) será nossa. Estamos decididos a criar um Estado palestino que terá Jerusalém como capital'', declarou durante seu último comício na sexta-feira. Ele encerrou a campanha reiterando sua vontade de retomar o Mapa da Paz, plano internacional para a região que estipula a criação de um Estado palestino independente, e de encontrar uma solução para o conflito negociando com Israel.
Apesar de grupos radicais como Hamas ou Jihad Islâmica terem convocado um boicote às eleições, 1.282.524 cidadãos, 70% dos 1,8 milhão que têm direito a voto em Gaza e na Cisjordânia, se registraram nos centros eleitorais, segundo a Comissão Eleitoral Central (CEC). Os locais de votação ficarão abertos
das 7h00 (3h00 de Brasília) às 19h00 (15h00 de Brasília).A apuração dos votos começará imediatamente depois do fechamento dos locais de votação, mas os primeiros resultados oficiais serão divulgados amanhã de manhã.

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