Ramallah, Cisjordânia As declarações contraditórias dos dirigentes palestinos, que falam um dia de um único Estado para dois povos e no dia seguinte garantem proclamar seu próprio Estado, demonstram sua desorientação diante das ameaças do premier israelense Ariel Sharon de aplicar um plano unilateral de separação.
O plano de Sharon se apóia na barreira de separação que está se construindo na Cisjordânia e que permitiria a Israel anexar de fato amplos setores da Cisjordânia ocupada, dificultando assim a criação de um Estado palestino viável.
Incapaz de conseguir que se suspenda a construção dessa barreira que os palestinos chamam ''muro do apartheid'' apesar do considerável apoio internacional, o premier palestino Ahmad Qorei (Abu Alaa) antecipou quinta-feira passada a idéia de um Estado binacional, isto é, que englobe israelenses e palestinos, e no qual estes últimos seriam a longo prazo majoritários devido ao seu crescimento demográfico.
Mas no dia seguinte, o líder palestino Yasser Arafat e o influente comitê executivo da OLP falavam da proclamação unilateral de um Estado em todos os territórios conquistados por Israel em junho de 1967, isto é, a Faixa de Gaza e Cisjordânia, incluindo Jerusalém Leste.
Essas declarações contraditórias ''refletem uma certa paralisia e uma crise no seio da direção palestina sobre as formas de contrabalançar as medidas de Sharon'' disse à AFP o ministro palestino sem pasta Qaddura Fares.
''A postura oficial palestina continua sendo favorável à solução de dois Estados e ao Mapa de Rota'', um plano de paz internacional estancado atualmente, ''mas a comunidade internacional, que deveria apoiar esta posição, fica de braços cruzados diante das atuações do governo de Ariel Sharon destinadas a boicotar essa solução'', acrescentou.
Segundo Fares, um dos chefes do Fatah (o movimento de Arafat) na Cisjordânia e deputado do Conselho Legislativo (parlamento), as divergências sobre a estratégia que se deve adotar frente ao plano de Sharon levaram a direção palestina ''a um atoleiro do qual tenta sair''.
Para Hafez al Barghuti, redator-chefe do jornal Al Hayat al Jadida, considerado o jornal oficial da Autoridade Palestina, ''há uma crise palestina evidente quanto à atitude que se deve tomar frente ao muro e quanto à maneira de se opor a ele''.

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