Ramallah, Cisjordânia Os palestinos se mostraram céticos, ontem, assim como seu líder Yasser Arafat, sobre uma eventual mudança em suas vidas cotidianas, com o plano formulado durante a cúpula do dia anterior em Ácaba (Jordânia), que relançou as esperanças de paz com os israelenses após 32 meses de violência e crise econômica.
O presidente da Organização para Libertação da Palestina, Yasser Arafat, manifestou seu ceticismo diante das declaraçõess de Ariel Sharon durante a cúpula de Ácaba, afirmando que até agora o primeiro-ministro israelense não adotou ''nenhuma medida concreta'' na região.
Para os habitantes de Ramallah, cidade industrial da Cisjordânia, o melhor termômetro dos progressos políticos segue sendo a presença de postos de controle nas estradas instalados pelo exército israelense e que paralisam a atividade da região.
O primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, seu colega israelense Ariel Sharon e o presidente americano George W. Bush, lançaram formalmente em Ácaba o ''mapa da paz'', plano de paz internacional que prevê o fim total da violência, o fim da colonização nos territórios ocupados e a criação por etapas de um Estado palestino até 2005.
Num primeiro gesto de boa vontade, Sharon se comprometeu a desmantelar algumas das quase sesenta colônias ilegais criadas desde que assumiu o poder em março de 2001.
Os habitantes da Faixa de Gaza também desejam que a diplomacia internacional tenha um impacto nas suas vidas cotidianas. Há muitos meses, sua região está de fato separada do mundo pelos bloqueios israelenses.
Samir Abdalá, de 47 anos, está sem trabalho, assim como a maioria do 1,2 milhão de pessoas que vivem nesta região superpovoada e empobrecida, e se lamenta que Israel ''não aplique'' os acordos firmados nestes últimos anos.
Em Jan Yunés, na Faixa de Gaza, Issa Issa, de 24 anos, resume o encontro de Ácaba à sua maneira: Abbas ''fez concessões reais, enquanto Sharon se contentou em utilizar palavras como um equilibrista''.
Colonias O ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, reuniu ontem seus colaboradores para examinar a questão do desmantelamento dos assentamentos não autorizados pelo Governo israelense nos territórios palestinos, que o primeiro-ministro Ariel Sharon se comprometeu a desmontar, informou a rádio oficial israelense. Esta medida poderá ser aplicada a partir da próxima semana, acrescentou a rádio sem dar maiores detalhes.
Israelenses e palestinos devem também reiniciar no mais alto nível, a partir da próxima semana, os contatos sobre as questões de segurança, acrescentou a emissora. antecipando um próximo encontro entre Sharon e seu colega palestino Mahmud Abbas, mas sem dar uma data precisa.
Mortes Dois membros do movimento radical palestino Hamas morreram ontem baleados por israelenses no norte da Cisjordânia, segundo uma fonte militar israelense.

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