Decepcionados com as resoluções da cúpula árabe do Cairo, que, segundo eles não foi muito longe, diversos palestinos apoiaram suas esperanças na Intifada (rebelião) para pôr fim à ocupação israelense.
‘‘A cúpula frustrou as esperanças do povo palestino. Deveriam ter tomado decisões mais práticas’’, declarou à AFP Marwan Barghuthi, chefe do Fatah, o movimento do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, na Cisjordânia.
Após uma reunião de dois dias no Cairo, os países árabes ameaçaram congelar suas relações com Israel, acusada de reprimir de forma sangrenta a rebelião dos palestinos, mas sem ousar romper relações com o Estado Hebreu.
‘‘Muitos (palestinos) dizem: ‘‘Não esperávamos mais porque os dirigentes árabes entrelaçaram seu destino com os Estados Unidos, de quem aceitam ordens, em vez de atender às aspirações de seus próprios povos’’, declarou Hanan Achraui, membro do Conselho Legislativo (Parlamento) palestino, à rede de TV americana CNN.
Arafat ‘‘não está satisfeito, já que julga as decisões tomadas contra Israel muito fracas e obscuras’’, destacou no Cairo um responsável palestino que pediu o anonimato.
O descontentamento de Arafat foi motivado também pelo anúncio do primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, de decretar uma ‘‘pausa’’ no processo de paz. ‘‘Que vá pro inferno!’’, declarou Arafat sobre Barak, ao voltar a Gaza.
É uma ‘‘bofetada que Barak infligiu ao mundo árabe’’, declarou à AFP um dos principais dirigentes palestinos, Saeb Erakat, sobre essa ‘‘pausa’’.
Em Damasco, os radicais palestinos, a Frente popular e a Frente democrática para a Libertação da Palestina (FPLP e FDLP), também expressaram sua decepção.
‘‘A reunião não respondeu às mínimas necessidades dos povos palestino e árabe no que concerne sobretudo à ruptura de relações diplomáticas entre os países árabes e Israel’’, estimou o porta-voz da FPLP num comunicado.
Para a FDLP, as resoluções do comunicado final são ‘‘vagas e estão distanciadas das causas principais’’.
‘‘As resoluções da cúpula árabe não têm nenhum valor’’, declarou um dirigente do Jihad em Gaza, Mohammad al-Hindi. ‘‘É uma tentativa para fazer abortar a Intifada’’, afirmou.
‘‘Entendo que não querem uma guerra contra Israel, mas se os 22 países árabes falarem em um só tom, e usarem a arma do petróleo, o mundo e os Estados Unidos obrigariam Israel a cessar suas agressões contra os povos palestinos’’, afirmou Daud Tutah, um estudante de 20 anos que vive em Jerusalém Oriental.

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