Palestina espera Clinton em clima de festa
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quarta-feira, 09 de dezembro de 1998
Luc de Barochez France Presse 
A Autoridade Palestina está em clima de festa por causa da visita do presidente Bill Clinton na próxima segunda-feira a Gaza. Analistas políticos afirmaram ontem que, para os palestinos, a primeira visita de um presidente norte-americano ao país é o começo do reconhecimento do novo Estado da Palestina por parte dessa superpotência, tradicionalmente aliada de Israel.
Essa visita coroa anos de esforços dos dirigentes palestinos para obter a boa vontade do único país do mundo considerado capaz de pressionar Israel. Trata-se de uma visita muito importante, histórica, quase como a primeira visita de Richard Nixon à China, em 1972, afirmou o ministro palestino do Planejamento e Cooperação Internacional, Nabil Chaath.
É um passo em direção ao reconhecimento de uma entidade palestina, por parte dos Estados Unidos, explicou Chaath, que teve o cuidado de não pronunciar a palavra Estado. Para acalmar a inquietação dos israelenses, os Estados Unidos frisam que a visita de Clinton não teria por finalidade o reconhecimento das aspirações palestinas de se tornar um Estado independente.
Para Chaath, é essencial que os palestinos possam contar com uma pequena parte da atenção norte-americana, que, na opinião dele, por muito tempo esteve reservada apenas aos israelenses. E também uma pequena parte do dinheiro, pois os Estados Unidos prometeram, recentemente, 900 milhões de dólares à Autoridade Palestina, em cinco anos. Os palestinos esperam que Clinton chegue em seu avião Air Force One ao recém-inaugurado aeroporto de Gaza, cuja abertura em novembro foi considerada uma vitória simbólica da soberania palestina.
A visita é uma consequência do acordo Wye Plantation, concluído no final de outubro sob mediação de Clinton. O acordo estipula que Clinton participe de uma reunião dos principais escalões da OLP em Gaza, oficializando a anulação das cláusulas antiisraelenses na Constituição palestina. Clinton chega, no entanto, num momento em que a aplicação do acordo está bloqueada pelas divergências de interpretação entre as partes e pelas sérias diferenças sobre a liberação dos presos políticos palestinos mantidos por Israel. A decisão israelense, de liberar um grande número de delinquentes comuns entre os 750 prisioneiros que se comprometeu a soltar, provocou muitos protestos da população palestina, em favor dos presos políticos.


