São Paulo - O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Iasser Arafat, 75 anos, se encontra em ''coma reversível'', informou a representante palestina na França, Leila Shahid, desmentindo a notícia de que o líder havia sofrido morte cerebral. Ela também disse que Arafat está ''entre a vida e a morte''.
Desde que o líder palestino foi internado no hospital militar Percy, em Clamart, sudoeste de Paris, no dia 29 de outubro, há inúmeras informações contraditórias sobre seu estado de saúde. ''Desminto categoricamente'', afirmou a representante palestina, sobre as informações divulgadas pela mídia francesa quinta-feira, citando uma fonte médica do hospital, de que Arafat estaria em um coma cerebral profundo e irreversível.
Segundo Shahid, o coma de Arafat é reversível porque teria sido induzido por anestesias para que ele pudesse ser submetido a exames, como a endoscopia e a biópsia da medula espinhal. ''(...) Não temos o diagnóstico de sua doença'', disse. A representante também afirmou que Arafat ''abriu os olhos'' e ''sorriu'' durante a visita do presidente francês, Jacques Chirac, ontem.
A imprensa israelense afirmou ontem que o líder palestino havia perdido a consciência diversas vezes, até chegar ao coma. A informação foi desmentida pelo primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei. ''Sou obrigada a lhes dizer que Israel alimenta a desinformação porque anunciou durante a tarde a morte do presidente da ANP, o que incitou ao presidente dos Estados Unidos (George W. Bush) desejar-lhe que Deus abençoasse sua alma'', afirmou Shahid.
Questionado sobre o que achava da morte de Arafat, o presidente americano, George W. Bush, durante uma conferência com a imprensa sobre seu plano de governo, respondeu: ''Deus abençoe sua alma'', afirmando em seguida que os Estados Unidos vão continuar ''a trabalhar por um Estado palestino que conviva em paz com Israel''.
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, reafirmou ontem que enquanto estiver no poder não vai permitir que Arafat seja enterrado em Jerusalém, informou a rádio pública de Israel. O premiê já havia feito o mesmo anúncio no domingo. ''Enquanto eu estiver no poder, e não tenho intenção de abandoná-lo, (Arafat) não será enterrado em Jerusalém.'' Sharon disse que considera a cidade de Jerusalém como sua capital ''indivisível e eterna''.
Arafat não nomeou um sucessor e se mostrou relutante em ceder poderes durante sua atuação como líder palestino. Na quinta-feira o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) agendou uma reunião de emergência em Ramallah, na Cisjordânia, que foi presidida pelo secretário-geral Mahmud Abbas (conhecido como Abu Mazen), para iniciar as discussões da sucessão e da segurança nos próximos dias. No encontro, autoridades delegaram poderes na área de segurança e finanças a Ahmed Korei, considerado um líder mais moderado.

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