Mil espectadores, entre os quais membros do governo russo, assistiram ontem a reestréia da comédia musical ''Nord-Ost'', na reabertura do teatro Dubrovka de Moscou, que foi palco, em outubro passado, do ataque de um comando suicida tchetcheno.
Na noite de anteontem, o teatro, que foi totalmente reformado, estava lotado para uma apresentação reservada exclusivamente aos meios de comunicação e familiares dos reféns.
Alguns espectadores choraram ao recordar a morte de seus entes queridos e outros festejaram emocionados o simbólico fim dos trágicos acontecimentos, que concluíram com a morte de 129 dos 800 reféns, além dos 41 terroristas tchetchenos.
Os autores do espetáculo, o produtor Gueorgui Vassiliev e o diretor artístico Alexei Ivachenko, subiram ao palco para falar ao público e pediram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.
Duzentos policiais foram encarregados da segurança. Alguns deles à paisana, encontravam-se sentados entre o público. Os espectadores tiveram de passar por detectores de metais, entre outras medidas de segurança.
No dia 23 de outubro, um grupo de rebeldes tchetchenos tomou o teatro de Moscou e fez cerca de 800 pessoas reféns durante 58 horas. Os rebeldes reivindicavam a retirada imediata das forças russas da Tchetchênia. Sem chegar a um acordo, a polícia de Moscou lançou um gás a base de ópio dentro do teatro e deu início à operação de resgate: o gás causou a morte de 129 reféns. Outros dois reféns morreram baleados pelos terroristas. Todos os 41 rebeldes que invadiram o teatro também morreram no incidente.
O Exército russo entrou na Tchetchênia no final de setembro de 1999, alegando combater grupos terroristas islâmicos. Após quase dois anos de combates, Moscou domina a maior parte da região, incluindo a capital, Grosni, e as principais cidades.
A Tchetchênia, de maioria muçulmana, é formalmente uma república russa, mas havia conquistado autonomia após o conflito travado com Moscou entre 1994 e 1996. A região foi anexada pela Rússia no século 18, ainda na época dos czares.

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