São Paulo - O Vaticano assegurou ontem que as palavras do papa Bento 16 sobre o uso do preservativo, segundo ele justificável em ''alguns casos'', não são ''uma mudança revolucionária'', mas uma ''visão compreensiva'' para levar a humanidade ''culturalmente muito pobre rumo ao exercício responsável da sexualidade''
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, deu um comunicado oficial pelo qual as manifestações de Bento 16 ''não reformam ou mudam as doutrinas da Igreja, mas as reafirmam, na perspectiva do valor e da dignidade da sexualidade humana como expressão de amor e responsabilidade''
Lombardi disse que o papa não justifica moralmente o exercício ''desordenado'' da sexualidade, mas considera que o uso de profilático para diminuir o risco de contágio da Aids ''é um primeiro ato de responsabilidade, um primeiro passo para uma sexualidade mais humana''
Declarações
No livro a ser lançado na terça-feira na Alemanha e na Itália, o papa Bento 16, 83, afirma que o uso de preservativos é aceitável ''em certos casos'', especialmente para reduzir o risco de infecção do HIV, mas insiste que não é a ''verdadeira'' maneira para combater a Aids, já que para ele é necessária uma ''humanização da sexualidade''
O livro, que tem como título ''Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times'' (Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais do Tempo), é baseado em 20 horas de entrevistas conduzidas pelo jornalista alemão Peter Seewald

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