A União Européia (UE) se divide quanto a independência de Kosovo. A maioria dos países membros está disposta a reconhecê-la, mas vários outros, que temem um acirramento das posições separatistas, como Espanha, Grécia, Chipre, Eslováquia, Bulgária e Romênia, expressaram suas reservas.
Para comprovar a realidade do risco de um ''efeito dominó'', mencionado ontem pelo presidente tcheco Vaclav Klaus, a Abkházia e a Ossétia do Sul, duas regiões separatistas e pró-russas da Geórgia, anunciaram logo após a proclamação kosovar sua intenção de proclamar independência.
Apesar das divergências, a UE decidiu - sem o aval da ONU - enviar ao Kosovo uma missão de cerca de 2 mil policiais e juristas para ''acompanhar'' o início do processo de independência.
Esta missão, rejeitada por Belgrado e Moscou, deve, durante um período de transição de 120 dias, substituir a Missão da ONU no Kosovo (Minuk), que administra a província desde o fim da guerra, em 1999.
A Minuk foi enviada ao Kosovo depois de os bombardeios da Otan terem obrigado o presidente Slobodan Milosevic a retirar da província as forças sérvias que combatiam a guerrilha separatista kosovar albanesa do UCK. Uma força comandada pela Otan, a KFOR, é encarregada desde 1999 de garantir a segurança no país.
Entre os cenários possíveis, está o de uma secessão do norte do Kosovo, onde vivem 40 mil dos 120 mil sérvios presentes na província. Em uma primeira decisão contestando a soberania kosovar, os sérvios do Kosovo anunciaram sexta-feira que organizarão em seu território as eleições municipais previstas para maio na Sérvia e formarão seu próprio ''Parlamento do Kosovo''.
A comunidade internacional teme atos de violência entre as duas comunidades. ''Haverá uma resposta se os albaneses tentam exercer seu poder no norte'' da província, ameaçou um dos líderes dos sérvios do Kosovo, Oliver Ivanovic. (F.P.)

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