Paris - Pela primeira vez, representantes de 58 Estados reunidos ontem em Paris comprometeram-se a combater o uso de crianças-soldado em conflitos armados - um drama que afeta 250 mil jovens principalmente na Ásia e na África. Dez Estados, onde dezenas de milhares de crianças portam armas, assinaram os ''compromissos de Paris'' de maneira particular, ao final de uma Conferência de dois dias, que traduziu a determinação dos países de lutar ao lado de ONGs pela causa.
Os demais Estados participantes da Conferência assinaram um conjunto de compromissos para impedir o recrutamento das crianças-soldado, facilitar sua reinserção e ''lutar contra a impunidade'' daqueles que utilizam os menores nos conflitos armados.
Uma antiga criança-soldado de Serra Leoa, Ishmael Beah, emocionou os participantes da conferência ao pedir mais atenção para o drama vivido por jovens guerrilheiros. Ele contou que ''matar'' tinha se tornado para ele - então um menino de 12 anos - ''tão fácil quanto beber um copo d'água''.
Dos 12 países apontados pela ONU como lugares onde crianças são usadas em conflitos, dez exprimiram seu apoio aos compromissos assinados: Burundi, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Somália, Sudão, Chade, Colômbia, Nepal, Sri Lanka e Uganda. Os dois outros países, Birmânia e Filipinas, não participaram da Conferência.
Mas a lista de apoio é aberta. ''O objetivo é que todos os Estados'' a assinem, revelou a diretora-geral da Unicef Ann Veneman.
As crianças-soldado acusadas de crimes deverão ser igualmente consideradas como vítimas de violação do direito internacional e não como possíveis culpadas. Os menores que fogem de um país para outro a fim de escapar de um recrutamento ilegal deverão, enfim, se beneficiar do direito de exílio.
Outra questão levantada com insistência foi a das meninas recrutadas por grupos armados. Apesar do horror que elas vivem, o problema vinha sendo negligenciado até a Conferência, que ressaltou a neceessidade de reintegração destas meninas que, muito frequentemente, se tornam escravas sexuais e ''a vergonha'' de suas comunidades de origem.

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