Países se preparam para receber refugiados
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terça-feira, 03 de setembro de 2013
France Presse 
Bagdá - Países vizinhos da Síria se preparam para um novo fluxo de refugiados em caso de ataque estrangeiro contra o regime de Damasco, enquanto o conflito já forçou mais de dois milhões de sírios a deixar seu país, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Um novo êxodo reforçaria o que a ONU já descreveu como "desastre humanitário vergonhoso". O número de refugiados sírios no exterior multiplicou 10 vezes em comparação com setembro do ano passado, enquanto a guerra entre o regime do presidente Bashar al-Assad e os rebeldes não apresenta sinais de trégua.
Jornalistas e trabalhadores humanitários relatam um aumento considerável do fluxo de migração desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu na semana passada que estava pronto para lançar ataques militares contra o regime em resposta ao suposto uso de armas química contra civis e rebeldes.
"Se algo acontecer - em caso de ataques aéreos ou novo ataque químico - a primeira reação das pessoas será fugir", de acordo com Muriel Tschopp, vice-diretora para respostas de emergência do Comitê Internacional de Resgate, com sede em Nova York.
"Muitos governos têm sido generosos, considerando que a situação é insustentável. Eles estavam prontos para enfrentar uma crise de seis meses, um ano. Mas não estão preparados para enfrentar uma crise de três anos, ou ver um país inteiro se esvaziar", acrescentou.
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) declarou que o número de refugiados sírios no exterior já ultrapassa dois milhões, em comparação com os 230 mil do ano passado. "Olhando para a recente escalada do conflito, o que é surpreendente é que o primeiro milhão fugiu em dois anos, e o segundo milhão em seis meses", ressalta o alto comissário Antonio Guterres, em Genebra.
"A Síria tornou-se a maior tragédia do século 20", lamentou o chefe do Acnur.
"O único consolo é a humanidade e fraternidade demonstrada por países vizinhos, que acolhem os refugiados e salvam suas vidas", acrescentou.
"Se a situação de segurança na Síria continuar a se agravar, os refugiados vão continuar a chegar, especialmente se a Síria for atacada" a partir do exterior, de acordo Dindar Zebari, do Departamento do Curdistão iraquiano para as Relações Exteriores. "As portas da região autônoma do Curdistão "estão abertas", mas "o grande número de refugiados representa um problema para as nossas finanças, que são limitadas."
A Jordânia, que abriga quase meio milhão de refugiados sírios, planeja aumentar a capacidade do campo de Zaatari de 130 mil a 150 mil. Por sua vez, a Turquia, que é a favor de uma ação estrangeira contra o regime sírio, disse que "está preparada" para lidar com um novo fluxo de refugiados, de acordo com Mustafa Aydogdu, porta-voz do Departamento responsável pela gestão de catástrofes.
"Temos a capacidade de criar novos campos", disse, garantindo que o seu país iria manter suas fronteiras abertas em caso de novo afluxo maciço de refugiados.


