Brasília, DF- Para que as Metas do Milênio sejam atingidas os países ricos precisariam investir três vezes mais do que destinam atualmente aos países pobres e em desenvolvimento. Segundo o relatório sobre a implantação das metas, em 2002, foram destinados US$ 65 bilhões para apoiar os avanços de países de renda baixa e média.
O relatório que levou três anos para ser elaborado por uma equipe de 265 especialistas aponta que seria necessário investimento de US$ 195 bilhões até 2015. Esse volume de recursos seria suficiente para retirar da pobreza mais de 500 milhões de pessoas.
O estudo, elaborado a pedido das Organizações das Nações Unidas (ONU), propõe que, em 2006, os países repassem US$ 135 bilhões para que os países pobres e em desenvolvimento tenham condições de atingir as Metas do Milênio.
Presente à coletiva de imprensa para divulgação do relatório sobre as Metas do Milênio, o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Brasil, Max Alier, disse não conhecer a proposta do Brasil de criação de um fundo formado com recursos obtidos com o pagamento de juros da dívida externa. ''A idéia tem que ser analisada em todos os seus contextos, em todos os detalhes. Não existe remédio mágico'', afirmou Alier.
A proposta apresentada pelo Brasil, Chile, Espanha e França foi subscrita por 110 países e está em discussão na ONU. ''Esta idéia surge para tentar aumentar o financiamento para se atingir os Objetivos do Milênio porque as formas tradicionais não estão dando resultado'', disse o coordenador das Nações Unidas no Brasil, Carlos Lopes.
Em relação à América Latina e ao Caribe, o relatório aponta que a desigualdade social na região é extrema e que é elevado o número de pessoas pobres nas áreas urbanas, vivendo em favelas. Como solução, propõe que se priorizem os investimentos em saúde, moradia e saneamento.
Uma das propostas é que sejam criados fundos para financiar a melhoria dos baixos pobres e que terrenos públicos desocupados sejam usados para a construção de habitação de baixo custo.

mockup