Pristina - Os Estados Unidos e os quatro maiores países da União Européia (França, Alemanha, Reino Unido e Itália) anunciaram ontem sua intenção de reconhecer a independência do Kosovo, rejeitada por outros estados como a Espanha e criticada duramente pela Rússia.
Um dia depois da autoproclamação da independência kosovar, que levou multidões eufóricas para as ruas da capital Pristina, cerca de 5 mil pessoas protestaram na capital sérvia, Belgrado, contra a atitude da agora ex-província.
''Os Estados Unidos hoje reconhecem oficialmente o Kosovo como um Estado soberano e independente. Felicitamos a população do país neste momento histórico'', declarou a chefe da diplomacia norte-americana, Condoleezza Rice.
Em uma reação diplomática diametralmente oposta, o parlamento russo alertou que Moscou tem o direito a partir de agora de revisar sua política com os Estados autoproclamados no território da ex-URSS - uma alusão velada a territórios vizinhos que desejam se unir à Rússia.
A independência do Kosovo expôs as divisões internas da UE, embora a maioria dos países tenha se mostrado disposta a reconhecer a nova nação. ''Queremos encerrar o capítulo que se seguiu ao desmembramento da Iugoslávia. O Kosovo foi e é a última questão não resolvida'', disse em Londres o premier britânico, Gordon Brown, ao anunciar o reconhecimento da independência kosovar por seu país.
''Temos a intenção de reconhecer o Kosovo'', declarou por sua vez o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner. ''O presidente (Nicolas Sarkozy) escreveu carta neste sentido ao presidente kosovar''. Palavras parecidas foram usadas pelo ministro italiano Massimo D'Alema: ''posso anunciar nossa intenção de proceder para o reconhecimento do Kosovo''.
De maneira geral, a grande maioria dos Estados membros da UE reconhecerá ''de uma forma ou de outra'' a independência do Kosovo ''no prazo de um mês, ou seja, em fevereiro ou março'', garantiu o ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt.
Mas países como Espanha, Chipre, Romênia, Grécia e Eslováquia, preocupados com movimentos separatistas internos, disseram não à independência da província que provocou, em 1999, uma intervenção armada da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Sérvia.
Numa sessão extraordinária realizada ontem, o Parlamento sérvio ''anulou'' por unanimidade a proclamação de independência do Kosovo, considerando que a decisão viola a integridade e a soberania da Sérvia. Do outro lado do Atlântico, o premiê sérvio na ONU, Vojislav Kostunica, disse que vai retirar o embaixador sérvio nos EUA.
Kosovska Mitrovica - Uma explosão foi registrada ontem em Kosovska Mitrovica, cidade dividida entre sérvios e albaneses no norte de Kosovo, perto de um prédio onde funcionam a polícia da ONU e a OSCE, a Organização para a Securança e a Cooperação na Europa, constatou um correspondente da AFP.
Não houve feridos, informou a polícia no local, já isolado pelas forças da ordem. Trata-se da segunda explosão na cidade desde que Kosovo proclamou sua independência, domingo.

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