O Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), ao qual os países americanos poderão recorrer hoje para preparar um plano de defesa regional em razão dos ataques nos Estados Unidos, é um dos acordos mais controvertidos da história da integração pan-americana.

Assinado em 1947 no Rio de Janeiro, o TIAR é o equivalente nas Américas ao Tratado do Atlântico Norte assinado em Washington em 1949 e que deu origem à Otan. Apesar de alguns juristas considerarem o TIAR como um acordo ''mais perfeito'' do que o da Otan, sua aplicação tem despertado controvérsias.

O TIAR é um tratado eminentemente militar, concebido como um mecanismo de ação coletiva de autodefesa em caso da ruptura da paz, por ação interna ou externa, em um de seus países-membros. Assinado em pleno início da Guerra Fria, o inimigo comum teve nomes próprios, a União Soviética e o comunismo.

O país que mais recentemente invocou o TIAR foi a Argentina. E o fez em 1982, durante a Guerra das Malvinas, quando a Grã-Bretanha enviou uma frota ao Atlântico Sul para recuperar as ilhas, ocupadas pelas forças militares argentinas. Os países do TIAR não adotaram nenhuma ação conjunta porque o governo americano do presidente Ronald Reagan se colocou então do lado dos britânicos.

A reunião da OEA hoje será realizada no âmbito do Conselho Permanente, formado pelos embaixadores, em Washington. O representante de Washington, Roger Noriega, apresentará um informe que servirá de base para a votação.

Uma votação a favor da invocação do TIAR ativará o Órgão de Consulta do tratado, formado pelos chanceleres. Se estes se reunirem, assumirão uma posição continental diante dos ataques terroristas em Nova York e Washington e dos planos de contra-ataque do presidente George W. Bush.

Em uma decisão sem precedentes na história da Organização das Nações Unidas (ONU), a sessão da 56 Assembléia Geral, prevista para ocorrer no próximo dia 24, foi adiada por tempo indeterminado. A decisão foi tomada devido aos últimos atentados terroristas.

Inevitáveis baixas O comandante militar da Otan na Europa admitiu ontem que haveria inevitáveis baixas aliadas como consequência de uma resposta militar aos ataques terroristas em Nova York e Washington. O general da Força Aérea dos Estados Unidos, Joseph Ralston, o supremo comandante aliado na Europa, insistiu que a missão será realizada de qualquer forma e que será um esforço sustentado por muito tempo. ''Estamos embarcando numa operação que não é livre de riscos. Haverá baixas. Isso é uma necessidade em qualquer operação militar'', afirmou.

mockup