Associated Press
e France Presse,
De Jacarta
As forças de segurança indonésias não estão fazendo nada para deter a violência no Timor Leste, segundo testemunhas, e inclusive se afirma que estão envolvidos. O governo australiano, por exemplo, está defendendo o envio de uma pequena força internacional de paz. Militares indonésios resistem à idéia, embora o governo aparentemente já tenha dado indícios de que pode ceder.
‘‘A situação em Timor Leste piora rapidamente’’, advertiu a representante diplomática de Portugal em Jacarta, Ana Gomes. ‘‘Precisamos instalar ali, com a máxima urgência, uma força internacional de paz.’’
Um grupo de ministros indonésios chegou cedo ontem a Dili para iniciar conversações a respeito da situação cada vez mais caótica. Um diplomata ocidental qualificou a situação como de ‘‘anarquia organizada’’, enquanto apavorados timorenses tratavam de fugir da ilha. O conjunto de prédios da ONU e o consulado australiano são os dois únicos locais considerados a salvo da violência das milícias na capital. Mas mesmo esses refúgios podem ser de segurança relativa diante da agressividade sem limites com que as milícias reagiram a massacrante vitória dos independentistas no referendo da semana passada. ‘‘Têm havido muitos tiroteios bem perto dos nossos prédios esta tarde’’, disse o porta-voz das Nações Unidas, David Wimhurst.
Jornalistas, pessoal da ONU e timorenses do leste corriam para tentar sair da ilha. As milícias fecharam os portos à tarde, impedindo que pelos menos dois navios atracassem para recolher refugiados. Há rumores de que o aeroporto do território será fechado hoje.

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