Países muçulmanos ameaçam conferência sobre Aids
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sábado, 26 de maio de 2001
De Nova York 
A posição adotada por alguns países muçulmanos em relação aos homossexuais, viciados em drogas e prostitutas ameaça o resultado da conferência preparatória da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Aids, estimaram vários diplomatas anteontem. A conferência, que deveria terminar hoje, prosseguirá a portas fechadas durante todo o sábado, revelou a porta-voz da ONU Sue Marham.
Alguns diplomatas não descartam a possibilidade de não haver acordo sobre o plano de ação que deve ser adotado pelos chefes de governo na sessão especial sobre a Aids da Assembléia Geral da ONU, prevista para o final de junho, em Nova York. Os países linha-dura são Egito, Síria, Malásia e Líbia; enquanto europeus, latino-americanos e o Canadá têm a posição mais liberal, segundo os diplomatas.
Sérias sensibilidades culturais e religiosas aparecem em algumas partes do texto e pelo momento não vemos como chegar a um entendimento, afirmou a embaixadora da Austrália na ONU, Penny Wensley. Ela declarou ainda que vários estados expressaram firmemente o seu desejo de acentuar a proteção aos grupos mais expostos ao risco do HIV.
Os grupos de risco incluem homens que têm relações sexuais com outros homens, prostitutas e seus clientes, consumidores de drogas, prisioneiros, refugiados e até pessoas separadas de suas famílias por seu trabalho ou por conflitos.
Por outro lado, um grupo de países muçulmanos liderados pelo Egito e integrado por Síria, Líbia e Malásia quer excluir qualquer referência aos homossexuais, viciados em drogas e prostitutas. No ano 2000, o vírus da Aids infectava mais de 36 milhões de pessoas, sendo 70% na África.


