Países em desenvolvimento inflexíveis
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
France Presse Kyoto, Japão 
Os países em vias de desenvolvimento - Grupo dos 77 e a China - permanecem inflexíveis e não querem ouvir falar dos compromissos de redução de gases causadores do efeito estufa, como desejavam os norte-americanos. Ontem, em Kyoto, onde transcorre a Conferência Mundial sobre as Mudanças Climáticas, esses países reafirmaram, desta forma, sua posição, que consiste na seguinte mensagem aos países industrializados e aos Estados Unidos, em particular: Vocês poluíram o ninho, são vocês que devem começar a limpá-lo...
Nossos países são os mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas e os menos preparados para enfrentá-los. As consequências do aquecimento já são perceptíveis em várias regiões, como os pequenos Estados insulares, afirmou, falando à imprensa, o presidente do G77+China, Mark Mwandosya, da Tanzânia. Por essa razão, damos tanta importância ao êxito das negociações de Kyoto, acrescentou.
Mwandosya recordou que a proposta americana de envolvê-los na questão é contrária ao mandato de Berlim, que pediu, em 1995, aos países desenvolvidos que assumissem as restrições de gases de efeito estufa.
Os países industrializados continuam sendo responsáveis por mais de 60% das emissões. Cerca de 85% dos gases acumulados na atmosfera devido às atividades humanas provêm dos países industrializados há dois séculos.
De fato, a posição americana sobre a questão dos países em vias de desenvolvimento flexibilizou. Os Estados Unidos já não esperam deles compromissos ao mesmo nível que o dos países ricos. Washington parece disposto, inclusive, a aceitar uma declaração de princípio e uma negociação posterior sobre objetivos apropriados para os países do Terceiro Mundo.
Isto, sem dúvida, não será o caso, mas a conferência de Kyoto poderá se ocupar da questão, apesar do encontro de Berlim ter tomado outra decisão. Nenhum país, inclusive os Estados Unidos, pediu que a questão fosse incluída na ordem do dia das conversações, o que teria provocado uma recusa frontal.
O presidente do comitê plenário, Raúl Estrada, recordou ontem que os países em desenvolvimento tinham suas próprias obrigações ante a convenção. Estimou que as reduções quantificadas para estes países chegarão no momento oportuno.
Os países em desenvolvimento também destacam as necessidades de uma assistência tecnológica e financeira para produzir limpo. Respondendo a esta preocupação, o primeiro-ministro japonês Ryutaro Hashimoto anunciou, em junho passado, em Nova York, ante a segunda Cúpula da Terra, o lançamento da iniciativa de Kyoto, que consiste em desenvolver a assistência aos países em desenvolvimento para combater o aquecimento.
A Convenção das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas (aprovada pela Cúpula da Terra do Rio, a ECO-92) pedia aos países do Terceiro Mundo que se esforçassem para fazer seu desenvolvimento econômico compatível com a luta contra o efeito estufa.
O presidente Bill Clinton decidiu enviar seu vice-presidente Al Gore à conferência de Kyoto, o que parece indicar que os Estados Unidos, apesar de sua posição radical, estão dispostos até certo ponto a negociar um compromisso. Gore fará uma viagem relâmpago ao Japão no próximo fim de semana para falar na manhã de segunda-feira, na conferência.


