Países da UE poderão 'devolver' refugiados para a Grécia
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sexta-feira, 09 de dezembro de 2016
Diogo Bercito<br>Folhapress 
Madri, Espanha - A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, determinou na quinta-feira (8) que seus Estados-membros podem "devolver" refugiados à Grécia a partir de março de 2017. Só estarão sujeitos à medida os refugiados que entrarem após essa data por meio da Grécia. Os países europeus não são, ademais, obrigados a seguir a diretriz. A população mais vulnerável, como crianças desacompanhadas, não será deslocada.
A decisão visa reconstruir a política migratória do bloco, desmoronada em 2015 após a chegada de centenas de milhares de refugiados. A Alemanha sozinha recebeu quase 900 mil, por exemplo. A migração desafia o princípio de livre circulação de pessoas. Diversos países fecharam as suas fronteiras e construíram cercas, como a Áustria, cortando as principais rotas de refugiados. O fluxo levou a crises políticas e fortaleceu movimentos de extrema-direita, como o Alternativa para a Alemanha e a Frente Nacional.
As regras da União Europeia estipulam que a responsabilidade de analisar o pedido de asilo é do país de entrada do migrante. A Grécia, próxima à Turquia, é hoje um dos principais portos. Há 62 mil refugiados no país impedidos de rumar a outros países - objetivo de boa parte deles, que têm como meta lugares como a Alemanha e o Reino Unido. "Refugiados precisam saber que não podem se realocar sozinhos e que, se fizerem isso, vão ser enviados de volta", afirmou Dimitris Avramopoulos, chefe de migração europeu.
Com as restrições previstas na medida desta quinta-feira - Estados não são obrigados a enviar os refugiados e não podem fazê-lo com grupos vulneráveis - a expectativa de retorno é bastante pequena, admitiu Avramopoulos.
TURQUIA
A resposta à crise de refugiados é uma das questões mais urgentes na União Europeia. Conflitos na Síria e a pobreza no Afeganistão causaram deslocamentos em massa rumo ao continente. Países como a Alemanha têm tentado forçar cotas de migrantes para os Estados-membros. Polônia e Hungria se recusam a participar.
A crise também tensionou as relações europeias com a Turquia. O bloco estabeleceu um acordo com o país, pedindo colaboração no combate à migração em troca de facilitar vistos a turcos. A promessa não foi cumprida e tem causado bastante atrito. A Turquia se ressente das críticas europeias à repressão do governo, após a tentativa frustrada de golpe militar em julho. Há constante ameaça de abandonar esse acordo.
UCRÂNIA
Paralelamente às medidas de contenção de migração, a União Europeia chegou a um acordo na quinta-feira para permitir a visita de cidadãos vindos da Geórgia e da Ucrânia sem vistos. Com a medida, Geórgia e Ucrânia - ex-Estados soviéticos - se aproximam do bloco europeu e, por consequência, se afastam mais da esfera de influência da Rússia.


