CairoOs países árabes endureceram o tom com o Iraque, advertindo o país que não poderão se opor a um ataque aprovado pela ONU se Bagdá continuar recusando o retorno dos inspetores de desarmamento. Nesse sentido, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, anunciou ontem que ''nas próximas horas'' deve intensificar seus contatos com a ONU e Bagdá para ''dar um impulso aos esforços políticos e diplomáticos que tentam impedir um ataque militar contra o Iraque e trabalhar pelo retorno dos inspetores de armas''.
Mussa, que está em Nova York participando da Assembléia Geral das Naçõess Unidas, manteve no domingo uma reunião de três horas com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e o chefe da diplomacia iraquiana, Naji Sabri, a segunda em dois dias, segundo seu porta-voz Hicham Yussef.
Segundo o jornal árabe Al Hayat, os ministros árabes das Relações Exteriores também se reuniram com o chefe da diplomacia iraquiana e lhe pediram que anuncie a Bagdá que os árabes ''querem o retorno dos inspetores conforme as resoluções do Conselho de Segurança, porque isso ajudaria a resolver a crise''.
Isso significa uma evolução notável na postura árabe, pois até o discurso do presidente norte-americano George W. Bush na quinta-feira, pedindo um ultimato da ONU ao Iraque, estes países rejeitavam categoricamente uma intervenção dos Estados Unidos.
''A única forma de resolver os problemas pendentes entre a ONU e o Iraque passa pela aplicação imediata das resoluções do Conselho de Segurança e o retorno dos inspetores'', advertiu no domingo, ante a Assembléia Geral, o ministro jordaniano das Relações Exteriores, Marwan Moacher.
Seu colega saudita, Saud Al Faysal, deu a entender que Riad cooperaria com uma operação liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque, caso a mesma tenha a aprovação do Conselho de Segurança.
''Se a ONU decidir, através do Conselho de Segurança, aplicar sua política, cada país assinante da Carta das Nações Unidas terá que aceitar'', declarou o príncipe Saud ao canal de televisão americano CNN.
''Se o Iraque diz que não dispõe de armas de destruição em massa e que não tem planos para produzi-las, por quê não aceita o retorno dos inspetores para acabar com este assunto?'', perguntou o ministro saudita.
A Arábia Saudita afirmava até o momento que não aceitaria o uso de suas bases em um ataque ao Iraque.
Novos alvosEm uma mudança de tática, a força aérea dos Estados Unido está atacando edifícios e outros alvos fixos no Iraque, na tentativa de provocar danos mais duradouros às defesas antiaéreas iraquianas, informou ontem o secretário da defesa norte-americano Donald Rumsfeld. Ele disse que tinha ordenado a mudança na tática aplicada no início deste ano porque os pilotos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha estavam se colocando cada vez mais sob fogo efetivo da artilharia do Iraque.

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