CairoO presidente egípcio Hosni Mubarak afirmou ontem que todos os países árabes se opõem a que os Estados Unidos ataquem o Iraque, advertindo que se esse ataque acontecer, acarretará consequências incontroláveis para toda a população árabe. Mubarak, que há meses não cessa de repetir que se opõe a esse projeto, reagiu assim às declaraçsões feitas na véspera pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney que justificou uma eventual intervenção militar preventiva dos Estados Unidos contra o Iraque dizendo que para agir, não é preciso esperar que Saddam Hussein tenha armas nucleares.
Cheney advertiu que ''a inatividade militar é mais arriscada do que a ação'', ao referir-se a uma eventual intervenção militar norte-americana no Iraque.
Mubarak estimou, em um discurso pronunciado para estudantes em Alexandria que nenhum país árabe aprova um ataque militar ao Iraque. ''Não acredito que haja um só Estado árabe que queira um ataque contra o Iraque. Nem Kuwait, nem Arábia Saudita, nem nenhum outro país árabe deseja isso'', afirmou Mubarak.
''A Arábia Saudita já disse claramente que não permitirá a utilização de suas bases para atacar o Iraque'', lembrou.
O presidente egípcio disse ter advertido seu colega norte-americano George W. Bush de que uma intervenção militar no Iraque levaria ''toda a região ao caos''.
''Se o Iraque for atacado e se o povo iraquiano for massacrado, nos momentos em que os palestinos morrem (nas mãos dos israelenses), isso levará a uma situação perigosa'', estimou Mubarak.
''Nenhum dirigente árabe poderia então controlar a explosão de cólera das massas. Acho que os Estados Unidos estão conscientes disso'', adiantou.
Na véspera em Jeddah (Arábia Saudita), o presidente sírio Bachar Al Assad e o príncipe herdeiro saudita Abdullah fizeram a mesma advertência.
Posição francesaO ministro francês de Assuntos Exteriores, Dominique Villepin, afirmou ontem que a França manterá sua posição de que uma possível ação militar dos EUA contra o Iraque deve contar com uma decisão da ONU nesse sentido. Se não obtiverem a autorização do Iraque para o retorno incondicional dos inspetores de desarmamento da ONU, ''as medidas tomadas deverão ser adotadas pela comunidade internacional, conforme um processo coletivo'', disse Villepin.
BombardeioAviões norte-americanos e britânicos bombardearam ontem o aeroporto de Mosul, 400 km ao norte de Bagdá, sem causar vítimas, afirmou um porta-voz oficial iraquiano. ''Aviões de combate lançaram ontem à tarde um ataque contra o aeroporto de Mosul, destruindo o sistema de radar que assegura o bom desempenho das decolagens e aterrissagens dos aviões civis'', disse um porta-voz do ministério de transportes em Bagdá. Acrescentou que ''os vidros da zona de embarque do aeroporto foram quebrados''.

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