Países amigos se reúnem em Montreal
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
France Presse 
Porto Príncipe - Os ''países amigos'' do Haiti, entre os quais o Brasil, os Estados Unidos e a França, as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA), se reunirão hoje em Montreal. O objetivo é fazer um balanço da situação, coordenar a ajuda e começar a preparar a reconstrução do país, abalado por um terremoto no dia 12, e que resultou em mais de 112 mil mortes. Outra conferência sobre o Haiti está prevista para março.
''Não vamos reconstruir o Haiti de forma idêntica. Teremos que resolver os problemas estruturais. Não será um exercício apenas financeiro, vamos falar de governança e de cooperação regional'', afirmou uma fonte diplomática francesa.
Em Porto Príncipe, os habitantes continuam enterrando seus mortos, e a vida está, aos poucos, voltando ao normal em alguns bairros. Muitos ambulantes instalaram suas mercadorias nas calçadas da parte alta da capital, tumultuando o trânsito.
A distribuição de alimentos, água, barracas e medicamentos se intensificou. Quase 610 mil pessoas estão alojadas em 500 acampamentos, e mais de 30 hospitais com capacidade operatória estão funcionando.
Alguns incidentes foram registrados. Sábado, soldados brasileiros da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) tiveram que atirar para o alto e lançar bombas de gás lacrimogêneo para conter um tumulto que surgiu durante uma distribuição de ajuda em Porto Príncipe.
A porta-voz do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Elisabeth Byrs, mencionou um ''incidente isolado'', e destacou que poucos casos de violência têm sido observados durante as operações humanitárias. ''É normal que haja incidentes isolados deste tipo, provocados pela exasperação e o desespero'', comentou.
Sobrevivente
Mais uma vida foi salva no Haiti, com um homem de 25 anos sendo retirado sábado dos escombros de Porto Príncipe, depois do fim oficial das operações de resgate decretado pelo governo haitiano. ''Estou bem'', disse à AFP Wismond Exantus, socorrido por uma equipe francesa auxiliada por americanos e gregos depois de passar 11 dias sob os escombros.
No total, 133 pessoas foram resgatadas dos escombros pelas equipes internacionais desde o terremoto, que resultou também em mais de 194 mil feridos e um milhão de desabrigados. Ontem, os haitianos se reuniram nos locais de culto do país que continuam de pé para rezar e chorar pelas vítimas. Centenas de haitianos se reuniram nos arredores da catedral de Porto Príncipe em ruínas, ontem de manhã, para rezar, cantar e lançar um apelo à reconstrução.


