Países africanos discutem como proteger infância
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domingo, 27 de maio de 2001
Michel Sailhan France PresseDo Cairo 
Meninos-soldados e meninos-escravos, subalimentados, atingidos completamente por epidemias ou longe da escola serão o eixo do programa organizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização da Unidade Africana (OUA) para proteger o futuro da infância na África, que começa hoje no Cairo. O fórum tem por objetivo adotar uma posição africana comum antes da sessão especial da Assembléia Geral da ONU sobre a infância, que ocorre em Nova York entre os dias 19 e 21 de setembro.
Os delegados dos países africanos irão propor soluções aos graves problemas de um continente que não protege suas crianças. Segundo a organização, mais de 300 mil crianças ainda estão envolvidas em conflitos no mundo, dos quais a metade se encontra na África.
Em Uganda, os meninos são recrutados pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA), que tenta derrotar o regime do presidente Yoweri Museveni. No Sudão, o maior país da África, persiste desde 1983 a guerra civil que enfrenta a rebelião do sul majoritariamente cristã e animista contra os governos sucessivos do norte árabe-muçulmano. O Unicef estima que pelo menos 200 mil crianças do continente são vítimas a cada ano de trabalhos forçados.
O texto que proíbe o recrutamento de meninos como soldados foi assinado por 79 países; outro documento que proíbe a exploração sexual de menores foi assinado por 72 países. Mas a ratificação desses tratados se dá a conta-gotas: o primeiro tratado foi ratificado por 4 países; o segundo, por três, um ano depois de sua adoção pela Assembléia da ONU. Para que um texto entre em vigor, são necessárias 10 ratificações.


