País é um dos mais fechados do mundo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 2004
Agência Folha 
São Paulo - A Coréia do Norte é um país tão fechado que o acidente ferroviário de onteme, que pode ter feito 3.000 vítimas, entre mortos e feridos, talvez nunca venha a ser relatado por seu governo comunista, conduzido com mão-de-ferro pelo excêntrico ditador Kim Jong-il.
A explosão ocorreu nove horas depois da passagem pela estação de Ryongchon do ditador que vinha de uma visita de três dias à China a bordo de seu trem especial. Mas nenhum elemento indica que a explosão possa estar ligada a uma tentativa para matar Kim Jong-Il.
Por motivos de segurança, o líder norte-coreano prefere utilizar o trem e não o avião quando vai à China. Um teoria possível é que a tragédia tenha ocorrido devido ao estado decrépito da infra-estrutura do país. A rede de ferrovias está bastante sucateada. Uma viagem pode atrasar horas ou até dias devido ao fornecimento precário de energia.
Kim é extremamente preocupado com sua segurança por medo de um ataque militar norte-americano semelhante ao ocorrido no Iraque. O presidente George W. Bush incluiu a Coréia do Norte no chamado ''eixo do mal'', onde aparecem também o Irã e o Iraque pré-ocupação. Pyongyang afirma ter um programa de armas nucleares em andamento.
A Coréia do Norte tem bastante prática - e sucesso - em manter sigilo. Kim assumiu em 1994, em substituição a seu pai, Kim Il-sung, e por três anos não apareceu em público, alimentando especulações de que havia uma disputa interna pelo poder.
Para analistas, o ''sumiço'' serviu para que o ditador consolidasse seu poder sobre os militares e melhorasse sua imagem ao guardar um luto de três anos.
Mesmo uma grave crise de fome, que matou até 2 milhões de pessoas no país no fim dos anos 90, nunca foi totalmente explicado por Kim, que admitiu um número bem menor de mortos.


