Pai pode ter Elián de volta quarta-feira
Agência Estado
De Washington
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ontem aos parentes de Elián González, em Miami, a quem o Serviço de Imigração e Naturalização (INS, por sua sigla em inglês) deu custódia temporária do menino cubano resgatado no mar em novembro passado, que eles devem estar preparados para entregá-lo a seu pai, Juan Miguel González, a partir da próxima quarta-feira.
Juan Miguel, que chegou a Washington na quinta-feira acompanhado por sua segunda mulher e um filho, visitou ontem a secretária da Justiça, Janet Reno, para discutir as providências para a retomada da guarda de seu filho e agradecer a posição assumida pela administração Clinton na controvérsia, que a comunidade de exilados de Miami transformou numa batalha contra o regime de Fidel Castro. A mãe de Elián morreu afogada, junto com outros refugiados, no naufrágio do pequeno barco em que tentavam chegar à Florida.
Depois do encontro de Reno com Juan Miguel, que começou com nervosos apertos de mão e terminou em abraços, um funcionário do ministério da Justiça disse que a presença do pai de Elián nos Estados Unidos havia mudado completamente a dinâmica do caso.
Mas, com as negociações entre as autoridades federais e os parentes de Elián em Miami num completo impasse, não estava claro como se chegará ao desfecho desejado por Juan Miguel, pelo governo dos Estados Unidos e pela maioria dos norte-americanos.
Diante do anúncio do novo prazo para a entrega de Elián a seu pai, líderes da comunidade cubana retomaram a ameaça de desencadear um movimento de desobediência civil em Miami, bloqueando os acessos ao aeroporto da cidade, e de resistir fisicamente a qualquer tentativa das autoridades de tirar o menino da casas do tio-avô, Lázaro Gonzalez, onde vive há mais de quatro meses.
Ramon Saul Sanches, presidente do Movimento pela Democracia, um dos muitos grupos anticastristas de Miami, disse que só retiraria a ameaça se Reno desistisse no novo prazo estipulado para a transferênca da custódia de Elián a seu pai.
Este é exatamente o cenário de confrontação que a administração Clinton queria evitar. Segundo fontes do Departamento da Justiça, os parentes de Elián em Miami receberam ontem duas cartas. A primeira informou a data final em que deve entregar o menino ao pai. A segunda, continha instruções sobre onde e como isso deverá acontecer.
Se eles mantiverem sua recusa, Washington tem duas opções: a primeira é recorrer à justiça federal para validar a ordem. A segunda é tentar remover o menino à força.Diante da decisão do Departamento de Justiça americano, parentes e vizinhos em Miami ameaçam resistir a qualquer tentativa de repatriação do menino
France PresseIMPASSEEnquanto o pai e parentes que vivem em Miami brigam na Justiça, o pequeno Elián brinca no quintal





