O conceito de raça não tem nenhum fundamento científico e é fruto apenas de fatores culturais, afirmou o pai do genoma humano, o americano Craig Venter, que há poucos meses anunciou o mais preciso mapa genético do homem.
Venter disse que num país como os Estados Unidos, criado por imigrantes procedentes de todo o mundo, as pessoas devem saber que ‘‘viemos todos nós de um mesmo e pequeno número de tribos que emigraram da África para colonizar o mundo’’ há 100 mil anos.
As reflexões de Venter foram respaldadas por diferentes cientistas. ‘‘As diferenças nos genes das pessoas são de cerca de 0,01%’’, concordou Harold Freeman, presidente do North General Hospital, de Nova York, em declarações ao New York Times.
As provas científicas não dão margem a dúvidas sobre a falta de base para se discriminar uma pessoa pela cor dos olhos ou da pele. Segundo a opinião de Aravinda Chakrarvati, pesquisador da Case Western University, de Cleveland, a idéia de raça não é apenas superficial, é falsa.
Segundo especialistas, o tempo transcorrido desde a emigração das tribos africanas originais, estimado em 100 mil anos, é pequeno demais para se sustentar que uma espécie pode ter se diferenciado muito e tenha superioridade em relação a outras.
Um organismo simples, como um vírus, pode se transformar em poucas horas, mas um organismo complexo, como qualquer mamífero, começando pelo homem e seu complexo sistema nervoso, necessita de muitos milhões de anos.
Mas, se não existem fundamentos biológicos para apoiar conceitos sobre diferenças raciais, não podemos ignorar a importância das diferenças culturais, dos usos e costumes, das línguas e das religiões, que, essas sim, existem, sustentou, por sua parte, o antropólogo Alan Rogers, da Universidade de Utah.
Rogers acrescentou que, como a idéia de raças é um fator cultural, é importante se conhecer essas diferenças para entendermos melhor como funcionam na vida prática, ‘‘rastrear as origens’’ e ‘‘individualizar as migrações’’ dos diversos grupos que surgiram a partir do ‘‘homo sapiens’’ emigrado da África.
As reflexões de Rogers, disse Eric Lander do Whitehead Institute de Cambridge, demonstram definitivamente que ‘‘somos todos parte do mesmo povo que se ramificou num abrir e fechar de olhos’’.
‘‘Somos parte de uma aldeia que cresceu tanto que cobriu todo o mundo e que mantém as variações genéticas de sua origem comum’’, disse Lander.

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