Associated Press
De Miami
Era uma notícia que muitos temiam. Nas primeiras horas da manhã de ontem, Juan Miguel González desembarcou de um jatinho executivo, no aeroporto internacional de Washington para buscar seu filho – Elián, de seis anos –, que ele não vê há 137 dias e quer levar o quanto antes para Cuba.
A tensão aumentou pouco antes do anoitecer. Depois de cinco dias de negociações com representantes do governo dos Estados Unidos, os advogados que representam os interesses dos parentes de Elián em Miami anunciaram que não há acordo: Lázaro González, o tio-avô do menino, e sua filha Marisleysis, se recusam a entregar a criança a seu pai.
Em frente da modesta casa de Lázaro em Little Havana (Pequena Havana), alguns respiraram aliviados. Para eles, a permanência de Elián nos Estados Unidos representa uma vitória na sua luta para libertar seu país de 41 anos do governo de Fidel Castro.
Mal chegou aos Estados Unidos, Juan Miguel deixou bem claro que suas intenções são outras. Vestindo um terno elegante e acompanhado por sua atual mulher e seu segundo filho, de 6 meses, ele caminhou até os microfones, colocados na pista de aterrissagem.
Sem dar um único sorriso às câmeras de televisão ou à uma dúzia de manifestantes, ele leu uma declaração dura, criticando seus ‘‘parentes distantes’’ em Miami e os ‘‘políticos, jornalistas, advogados’’, que submeteram Elián a quatro meses de assédio.
Ele disse que seu filho já tinha enfrentado um grande trauma: o naufrágio do barco, no qual fugiu de Cuba. O menino, um dos três únicos sobreviventes, assistiu à morte da mãe e do padrasto. O que Elián precisa agora, disse Juan Miguel, é estar com sua ‘‘verdadeira família’’ e não com ‘‘parentes distantes’’ que o viram apenas uma vez.
Ele manifestou o ‘‘profundo agradecimento’’ ao povo norte-americano, por ter apoiado seus esforços para levar o filho de volta a Cuba.
Depois de ouvir o discurso de Juan Miguel e ver o pai do menino ser acompanhado por seu advogado, Gregory Craig, o prefeito de Miami, Joe Carollo reagiu: ‘‘É uma afronta aos princípios de liberdade dos Estados Unidos’’.

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