O ex-padre e guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Francisco Antonio Cadena Collazos, preso há 21 dias na delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu, recebeu ontem a visita de um representante internacional do Movimento pelos Direitos Humanos da América Latina.
O representante da Plataforma Interamericana pelos Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento (PID), Pierre Roy, disse que as condições em que Cadena se encontra serão informadas a outros integrantes da entidade. Sediada em Cochabamba, a PID é ligada às Organizações dos Estados Americanos (OEA).
‘‘Levaremos nosso relatório à OEA e pediremos à Justiça brasileira para que solucione o caso o mais rápido possível’’, comentou Roy, padre haitiano que trabalha no Brasil há oito anos. Ele destacou que não há motivos para manter o representante das Farc detido, já que não existem documentos que provem o envolvimento de Cadena em atentados ocorridos na Colômbia. ‘‘Ainda não vimos o mandado de prisão ou algum dos processos. Se estes papéis existem, por que ainda não foram apresentados?’’, questiona.
Roy destaca ainda que o único documento conhecido foi enviado pela embaixada brasileira em Bogotá. A carta possui, em anexo, apenas um currículo do acusado. A Folha teve acesso ao ofício 261/00, documento citado pelo padre haitiano. Nele, o policial Especial Ronaldo Urbano solicita à coordenadora de Inteligência da Polícia Federal de Brasília, Mariam Ibrahim, que prenda Cadena, mesmo ‘‘não estando de posse do mandado de prisão’’, que seria enviado em breve.
No texto, é comentada a visita de um integrante do Serviço de Inteligência para Delitos Especiais da Polícia Nacional Colombiana, coronel Janio León Riaño. Apesar de confundir o pseudônimo de Cadena (conhecido no Brasil como Olivério Medina) chamando-o de Camilo Lopez, no documento o coronel Riaño afirma aos representantes da embaixada ‘‘que o suspeito teria cometido crimes de sequestro e homicídio.’’
Considerado o relações públicas das Farc no Brasil, Cadena foi preso no momento em que tentava renovar o visto. Na delegacia, ele ficou sabendo que um pedido de prisão e deportação já havia sido determinado pela Justiça Federal no dia 13 de setembro deste ano.
O ex-padre continua negando qualquer envolvimento nos crimes citados pelas autoridades da Colômbia. Ele disse ainda que mantém residência fixa em Medianeira (65 km de Foz) e que ministra palestras em todo o País sobre a revolução.

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