Buenos Aires, Argentina- Vestindo uma batina e um colete à prova de balas, o padre Christian Federico von Wernich, 69, tornou-se ontem o primeiro membro da Igreja Católica a ser condenado por crimes cometidos durante a última ditadura militar na Argentina (1976-1983).
O Tribunal Oral de La Plata considerou Von Wernich culpado, no papel de co-autor, de 42 sequestros, 32 casos de tortura e sete homicídios -crimes contra a humanidade e genocídio- e o condenou à prisão perpétua. O julgamento foi o terceiro realizado após a reabertura, em 2005, dos processos contra membros do regime militar na Argentina. Todos acabaram em condenação dos réus.
Centenas de pessoas se juntaram, sob chuva, às portas do tribunal com cartazes pedindo justiça. O público comemorou quando o juiz Carlos Rosansky anunciou que os crimes cometidos por Von Wernich configuravam genocídio.
Durante a ditadura, o padre atuou como capelão da Polícia de Buenos Aires. Seu julgamento foi motivado por investigações da Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas, que indicou que o padre fazia uso do seu papel de confessor para extrair segredos dos torturados nas instalações de detenção ilegal da ditadura. O pior crime imputado a ele foi a participação no assassinato de sete militantes peronistas convencidos a colaborar com seus captores em troca da liberdade. Testemunhas afirmaram que o padre estava no veículo que os levou ao local onde foram mortos.

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