Pacifistas protestam no Japão
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quinta-feira, 03 de maio de 2007
France Presse 
Tóquio- O primeiro-ministro conservador Shinzo Abe confirmou ontem seu desejo de revisar a Constituição pacífica do Japão, no dia do 60º aniversário da Carta Magna, num momento em que partidários e detratores da reforma protestavam nas ruas.
A Constituição atual ''precisa ser revisada, pois sua arquitetura fundamental não leva em conta as mudanças importantes que aconteceram no sistema administrativo, nas relações entre governo central e autoridades locais, e nas políticas externa e de defesa'', explicou Abe em comunicado.
''Revisar corajosamente o regime do pós-guerra e promover um debate profundo sobre a Constituição levará a um espírito adaptado a uma nova era'', acrescentou Abe, primeiro chefe de governo nascido depois da Segunda Guerra e defensor fervoroso da revisão constitucional.
O primeiro-ministro quer dotar o Japão de uma ''Constituição adaptada ao século XXI''. Promulgada em 1946, a Lei fundamental entrou em vigor em 3 de maio de 1947, num momento em que o Japão, derrotado, estava sob a ocupação americana.
O artigo número 9 da Constituição proíbe os japoneses de recorrer à qualquer força militar, inclusive num quadro coletivo, exceto em caso de legítima defesa. Ela proíbe teoricamente a manutenção de um exército, mas o Japão se dotou de ''Forças de Autodefesa'' (FAD), que estão hoje em dia entre os exércitos mais bem equipados do mundo.
Para a direita majoritária, esta cláusula polêmica é um obstáculo às ambições internacionais de Tóquio, sobretudo no que se refere à sua participação das operações de manutenção da paz. A maioria dos japoneses considera que chegou a hora de revisar a Constituição, mas muitos deles defendem a cláusula pacifista.
Milhares de militantes pacifistas e de esquerda desfilaram ontem no bairro chique de Ginza, em Tóquio, para protestar contra o projeto de revisão constitucional.


