Paciente de transplante de rosto passa bem
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sábado, 03 de dezembro de 2005
France Presse 
Lyon (França) - A mulher de 38 anos que recebeu um transplante parcial de rosto se encontra bem ''no plano físico, imunológico e psicológico'', declarou ontem o professor Jean-Michel Dubernard, que realizou a cirurgia inédita. ''Só saberemos dentro de quatro a seis meses se a paciente recuperará toda sua sensibilidade'', informou outro médico que participou na operação.
''A paciente viu seu rosto na segunda-feira e nos agradeceu. Tivemos uma boa surpresa em termos de cor da pele'', acrescentou.
Os cirurgiões franceses anunciaram na quarta-feira ter realizado o primeiro transplante facial do mundo em uma mulher que teve esfacelada grande parte da parte baixa do rosto ao ser atacada por um cão. No procedimento, inédito no mundo, realizado no domingo, um triângulo formado por nariz, boca e queixo foi transplantado na paciente.
O professor Jean-Michel Dubernard, que realizou o primeiro transplante de mão do mundo, em 1998, chefiou a equipe de cirurgiões junto com o professor Bernard Devauchelle, especialista francês em rosto e boca. No domingo, os tecidos faciais, músculos, artérias e veias necessárias para o transplante foram retirados de uma doadora da cidade de Lille (norte).
A família da doadora, que teve morte cerebral, deu a autorização para o procedimento, acrescentou o comunicado. A paciente terá que tomar medicamentos imunossupressores para evitar que seu corpo rejeite o tecido doado e continuará sob a supervisão de Dubernard no hospital universitário da cidade de Lyon (centro-leste).
Simulações de computador sugerem que a nova face da paciente eventualmente será um híbrido de seu próprio rosto e do doador. A mulher, originária da cidade de Valenciennes (norte), deu entrada ao hospital em maio com sérios ferimentos no rosto, após ter sido atacada por um cão.
A cirurgia para o transplante facial era essencial para restaurar as funções da face, já que a paciente perdeu as capacidades de fala e mastigação, destacou o comunicado. Tais ferimentos são ''extremamente difíceis, até mesmo impossíveis de reparar usando as técnicas de cirurgia oral-facial convencionais'', continuou.
O transplante facial representa uma esperança para milhares de pessoas, cujos rostos foram desfigurados por queimaduras, traumatismo, doenças ou deficiências congênitas, embora preocupações éticas tenham retardado o seu desenvolvimento em muitos países.
Até agora, cirurgiões usavam a pele de costas, nádegas e coxas do paciente para serem enxertadas em seu próprio rosto, mas o resultado era artificial e os indivíduos recuperavam apenas uma parte limitada das funções faciais, mesmo após dezenas de operações. Segundo uma matéria publicada na revista francesa Le Point, autoridades sanitárias francesas deram sinal verde à realização da cirurgia em agosto.


